" e de tudo o que vi o que doeu / foi ver que se tentou mas que no fundo / mais desigual que nunca está o Mundo."
Manuel Alegre
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Raquel Varela sobre "Quando":
"É um poema de vida e é um poema cheio de futuro”
26-12-2020 excerto de RTP3, Programa "O último apaga a luz"

“O Manuel Alegre voltou a surpreender, pelo menos a mim”, afirmou Raquel Varela na edição de Natal do programa 'O último apaga a luz' da RTP3, em que escolheu para oferecer Quando, o novo livro do poeta, “um livro lindíssimo, um poema, um longo poema”. “Surpreendeu-me”, explicou, “porque agora escreveu, já no grupo de risco, porque ele já tem alguma idade, confinado, um poema sobre a liberdade, sobre os afectos, sobre a necessidade de nós não vivermos no ‘twitter’ e nos relacionarmos, sobre a necessidade de não nos agarrarmos a ‘punchlines’ e comunicarmos.”

Raquel Varela fez questão de sublinhar que nunca apoiou politicamente Manuel Alegre, mas acha “que o homem e a obra são duas coisas distintas.” Afirmando que “Manuel Alegre é e sempre foi um grande poeta”, Raquel Varela resumiu assim a sua leitura de Quando: “É um poema de vida e é um poema cheio de futuro. E eu achei-o lindíssimo, achei que era também, se ele me permite, um acto de resistência.” A historiadora acrescentou: “Ele diz que também faz parte da sua resistência política, mas também é de resistência literária”, porque nos traz “um tempo de proximidade social, fundamental!”

Raquel Varela dedicou a sua escolha de Natal a “uma personalidade que se tornou absolutamente central no nosso panorama, ficou indiscutível que é central - os trabalhadores. Não só e à cabeça os profissionais de saúde, médicos, enfermeiros e outros técnicos, que muitas vezes não são referidos, mas são essenciais", disse ainda, "mas os trabalhadores da logística (nós agora vemos o que é os camionistas com um ou dois dias de bloqueio), os trabalhadores da cultura, sem os quais teria absolutamente infernal o período do confinamento, os trabalhadores da alimentação, da restauração”. “Se havia dúvidas, acrescentou, “ficou absolutamente indiscutível a centralidade do trabalho e destas pessoas e a sua importância. É por isso que me incomoda muito quando se fala do desemprego como se fosse uma coisa inevitável para a qual não se pode fazer nada. E é evidente que pode e deve.”