"Estou aqui com muita emoção, porque aqui se combateu, aqui morreram muitos militares angolanos e portugueses. Vejo com muita emoção uma escola aqui, num local em que antes foram travados duros combates", disse Manuel Alegre hoje em Nambuangongo, província do Bengo, região em que esteve a cumprir serviço militar na década de 1960.
"Levo a imagem de uma escola a nascer e da vida a florir num local que era de morte" sublinhou Manuel Alegre neste retorno a Nambuangongo, onde se emocionou ao visitar campas de soldados angolanos e portugueses que com ele estiveram a lutar naquele local durante a guerra colonial. O autor do poema "Nambuangongo meu amor", que dá título a sua antologia de poemas de guerra, considera a sua visita a este município da província do Bengo como uma peregrinação pensando naqueles que aqui morreram, sublinhando que após a guerra nasceu uma Angola independente e um Portugal livre e democrático.
"Hoje, de Nambuangongo, levo um pedido de uma geminação com uma vila ou cidade portuguesa e levo o pedido que as pessoas venham para Nambuangongo. Penso que muitas pessoas, sobretudo militares portugueses gostariam de fazer esta viagem", referiu.
Nambuangongo é o símbolo de um período que foi muito difícil para o povo angolano e português, segundo considera o político. A deslocação de Manuel Alegre fez-se a convite do Governador da Província do Bengo, João Bernardo Miranda. Manuel Alegre foi acompanhado pelo deputado do Bengo, Adão Neto, e pelo Secretário Provincial do MPLA. À chegada foi recebido pelo Administrador do Município.