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Lançamento de "O Miúdo que Pregava Pregos numa Tábua"
Um mar de gente, segunda edição no prelo
07-04-2010 com base em diário.iol.pt (excertos)

Um mar de gente esperou Manuel Alegre esta tarde, nas Galveias, para assistir ao lançamento de "O Miúdo quer Pregava Pregos numa Tábua", último livro do poeta, edição da D. Quixote, uma novela colocada à venda há menos de duas semanas e que já tem a segunda edição no prelo. "Há mais vida para além da política", disse Manuel Alegre aos jornalistas, irredutível na sua vontadae de separar o livro da questão das presidenciais. Livro que ao fim e ao cabo é "uma pergunta sem resposta, uma relação do mistério com o mistério" e cujo autor confessa que não sabe "se foi ele que inventou o miúdo, ou se foi o miúdo que o inventou a ele".
Veja a intervenção de Manuel Alegre AQUI

Paula Morão, professora catedrática da Faculdade de Letras de Lisboa, fez uma longa e emotiva apresentação. Manuel Alegre respondeu com breves palavras, dizendo "que escreveu este livro porque sim", ou que o livro é "uma pergunta sem resposta, uma relação do mistério com o mistério» e não sabe «se foi ele que inventou o miúdo, ou se foi o miúdo que o inventou a ele".

Morão, entre muitos episódios de vida e de infância, destacou um, decisivo: um tiro falhado. Alegre estava em Angola, a cumprir o serviço militar, o pelotão estava "há mais de dois meses sem reabastecimento, a comer atum com grã-de-bico. Então uma seixa aparece na picada. O caçador de sombrias pega na Mauser, as mãos tremem, salta do jipe, põe um joelho em terra, Calma, meu alferes, não falhe por amor de Deus, murmura-lhe o furriel, ele tenta controlar-se, aponta com cuidado, começa a tirar a folga do gatilho, calcula mal a pressão, dispara sem querer e acaba a perguntar-se como é que o miúdo que matava narcejas em voo com uma flobert de nove milímetros falhou o tiro mais importante da sua vida".

Mas o "caçador" nunca desistiu e esta quarta-feira, numa sala cheia do Palácio das Galveias reuniu os seus apoios: a deputada do Bloco de Esquerda Helena Pinto, o fadista João Braga, a escritora Maria Teresa Horta entre muitas outras pessoas, que se juntaram para ouvirem o homem que "inventou o miúdo" que ainda hoje vê "sempre que se olha ao espelho".