Nós voltaremos sempre em maio
Manuel Alegre
InícioManuel AlegreNotíciasAgendaOpiniãoPresidenciais 2011LinksPesquisa
YouTube Twitter FaceBook Flickr RSS Feeds
> Notícias
*
Manuel Alegre ovacionado de pé na Universidade de Pádua
19-04-2010

"Hoje, como sempre, poesia é liberdade". Assim terminou Manuel Alegre a sua intervenção esta manhã na Universidade de Pádua, recebendo uma prolongada ovação de pé das centenas de jovens que não quiseram deixar de assistir à inauguração da nova Cátedra de Língua, Literatura e Cultura Portuguesas com o nome do poeta português, o que obrigou a uma mudança de sala para poder acolher todos os presentes.
Veja a intervenção de Manuel Alegre AQUI

A sessão abriu com uma intervenção do Reitor, a que se seguiram os discursos do Presidente da Faculdade de Letras e Filosofia, do Director do Departamento de Românicas e da Prof. Sandra Bagno, dando depois lugar à dissertação de Manuel Alegre.

Manuel Alegre começou por confessar que "estava longe de pensar que um dia veria o seu nome associado a uma Cátedra" na Universidade "que tem por lema a Liberdade e que, por isso mesmo, foi o primeiro centro da consciência crítica e da revolução científica na Europa." "Longe ainda, sublinhou, de imaginar que tal sucederia na cidade onde repousa o Santo que para uns é de Pádua, para nós de Lisboa, e, de qualquer modo, o Santo mais popular de Portugal." O poeta português explicou: "Só vislumbro três razões para tal honra me ter sido concedida: a da minha vida e da minha escrita terem também como lema a Liberdade; a de, através de mim, se pretender homenagear a língua em que Luís de Camões cantou 'a lusitana antiga liberdade'; finalmente e, com certeza, a mais decisiva: o esforço, o empenho e o amor da Professora Sandra Bagno à língua portuguesa."

Manuel Alegre fez questão de afirmar: "Não sou um académico. Estou aqui como poeta e agradeço que seja nessa qualidade que me recebem, já que, no meu país, historicamente, poesia e língua quase se confundem." E demonstrou-o com uma viagem pela poesia portuguesa desde D. Dinis, Sá de Miranda e Camões até aos nossos dias, "sem esquecer que houve o português de múltiplas tiranias e de várias resistências. O português da opressão colonial e o português da luta de libertação nacional." "Estranha contradição e, ao mesmo tempo, soberbo privilégio" disse Manuel Alegre, "de uma língua que, tendo sido a do sistema colonial, foi também a língua em que os povos começaram a procurar, a pensar e a dizer as suas identidades."

Frisando sempre a relação entre a poesia, a língua e a liberdade, Manuel Alegre concluiu citando George Steiner: "Cada língua é um acto de liberdade que permite a sobrevivência do homem" . "É certo", acrescentou, "que hoje os novos oráculos não estão em Delfos. Estão nas bolsas e nos mercados. Mas a fonte de Castália não secou. A escrita poética preserva o sagrado e é uma forma de resistência contra o grande mercado do mundo e a degradação da vida. Hoje, como sempre, poesia é liberdade."

No final da sessão foram lidos poemas de Manuel Alegre em português, pelo autor, e em italiano por Giulia Lanciani, uma das principais conhecedoras e tradutoras de Manuel Alegre naquele país.