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Homenagem a Magalhães Godinho
Manuel Alegre recorda um «gigante do pensamento»
27-04-2011 Com TSF e http://hardmusica.pt

Manuel Alegre recorda Vitorino Magalhães Godinho como um dos «últimos grandes portugueses» e um «gigante do pensamento», cuja morte representa uma grande perda para Portugal. «Tem uma obra monumental sobre a história dos descobrimentos, ainda recentemente publicou um ensaio notabilíssimo sobre a Europa e foi um dos poucos que escreveu doutrinariamente sobre o socialismo», afirmou Manuel Alegre, em declarações à TSF. Alegre disse ainda que Magalhães Godinho foi «um grande historiador, pensador e patriota».
Oiça as declarações de Manuel Alegre à TSF AQUI

O historiador e antigo ministro da Educação e Cultura em 1974, Vitorino Magalhães Godinho, morreu na passada terça-feira. Vitorino Magalhães Godinho nasceu em Lisboa, em 1918, onde se licenciou, tendo seguido o percurso académico fora de Portugal. Foi professor catedrático da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde coordenou o Departamento de Sociologia, e director da Biblioteca Nacional.

“Discípulo dos maiores nomes da historiografia do século XX português e europeu, foi mentor de várias gerações de intelectuais portugueses e estrangeiros, tendo dedicado a sua inteligência superior, a sua determinação rara, toda uma vida, enfim, ao estudo aprofundado e ao ensino inigualavelmente qualificado da História como forma de pensamento”, lê-se na nota emitida pelo ministério da Cultura. Vitorino Magalhães Godinho foi um “historiador, investigador e professor universitário de renome internacional” de “influência magna, de valor seminal e um exemplo superior de cidadania activa”.

Membro destacado da escola dos Annales, de H. Bloch e Lucien Febvre, Godinho foi também discípulo de Fernand Braudel e exerceu o magistério e investigação no Centre National de la Recherche Scientifique, na École Pratique des Hautes Études e na Faculdade de Filosofia e Letras de São Paulo (Brasil).

Forçado a abandonar a Faculdade de Letras de Lisboa por incompatibilidades entre a sua intervenção cívica e democrática e a ditadura de Salazar, foi catedrático do Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina, de Lisboa, do qual foi demitido em razão da crise académica de 1962.

“Os Descobrimentos e a Economia Mundial” (1963-1971), os “Ensaios” (1967-71), “A Estrutura da Antiga Sociedade Portuguesa” (1971) e a série de artigos escritos para a publicação que dirigiu entre 1978 e 1990, Revista de História Económica e Social, são apontados como “obras marcantes”. Segundo o historiador Francisco Bettencourt, discípulo de Magalhães Godinho, “Os Descobrimentos e a Economia Mundial” são “um largo fresco desde o século XV até ao XVIII. Este historiador sublinhou o facto de Godinho se ter “aventurado nos domínios de estudo de outras regiões” além de Portugal, graças ao seu “bom conhecimento dos arquivos de Veneza, e porque conhecia bem a situação do norte de África, a história da África ocidental e da Índia”. Francisco Bettencourt salientou ainda a “inovação teórica” com os novos conceitos que Godinho trouxe para a historiografia como o de “fidalgo-mercador” e “complexo histórico-geográfico”.

O actual director da Biblioteca Nacional, Jorge Couto, referiu ainda os estudos que o historiador empreendeu nos últimos tempos de vida sobre a actualidade e o século XIX, nomeadamente sobre a República.

Em Julho de 2008 o historiador doou à Biblioteca Nacional espólios familiares constituídos por cartas, fotografias, relatórios e diários de viagens e missões, entre outro material.
Godinho foi uma das personalidades que se insurgiu com o actual acordo ortográfico, tendo assinado uma petição pública nesse sentido.