"É preciso subverter o discurso cinzento e tecnocrático e recuperar a força primordial da palavra"
Manuel Alegre
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Manuel Alegre com a editora Cecília Andrade e poeta Frederico Lourenço
Manuel Alegre com a editora Cecília Andrade e poeta Frederico Lourenço
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Manuel Alegre na apresentação de “Nada está escrito”:
“Cada poema que se escreve é uma derrota da indigência”
17-04-2012

“Cada poema que se escreve é uma derrota da indigência, seja ela cultural, ética, política ou mesmo literária” afirmou ontem Manuel Alegre, respondendo à pergunta de Hélia Correia, “para que servem os poetas em tempo de indigência?”. A apresentação do livro “Nada está escrito” foi o pretexto para a leitura, por Manuel Alegre, de um verdadeiro manifesto poético, lido com comoção perante uma sala apinhada de gente que o foi ouvir na Livraria Buchholz, ontem à tarde.

Veja o texto de Manuel Alegre na apresentação de “Nada está escrito” AQUI
Veja o poema “Balada dos Aflitos” AQUI

“Talvez não haja mudança sem uma poética da mudança, como nunca houve revolução sem uma poética da revolução, mesmo quando os seus grandes poetas foram depois vítimas dela” defendeu ainda o poeta, para quem “nos tempos que correm, cada poema, independentemente do seu conteúdo, é um acto de resistência”.

Na assistência, composta por muitos “camaradas da escrita e da política” e amigos, estavam os escritores Vasco Graça Moura, Maria Teresa Horta, Nuno Júdice, Lídia Jorge, João de Melo, Clara Crabée Rocha, João Ricardo Pedro, José Manuel Mendes, Paula Morão e Pepetela, entre outros. Marcaram também presença Jorge Sampaio, Almeida Santos, António Costa e Luís Fazenda, para além de apoiantes das candidaturas presidenciais de Manuel Alegre como José Neves, José Leitão ou Nuno David. Entre os amigos, o fadista João Braga, o ex-presidente da FENPROF Paulo Sucena, o médico Nunes Diogo e o editor Manuel Alberto Valente não quiseram falhar a apresentação deste novo livro, a que Marcelo Rebelo de Sousa teceu rasgados elogios numa das suas últimas intervenções na TVI.

O livro foi apresentado pelo professor, escritor e poeta Frederico Lourenço, autor de notáveis traduções da Ilíada e da Odisseia de Homero na nossa língua. Alegre registou aliás que tinha “descoberto” a Ilíada nos versos em português em que Lourenço a verteu. E a verdade é que no seu novo livro, “Nada está escrito”, comparecem Heitor e a cidade de Tróia, nalguns dos mais belos poemas nele incluídos.

O livro abre com o poema “Balada dos Aflitos”, um hino à fraternidade. Neste tempo em que “mão invisível nos tem aqui proscritos/ em nós mesmos perdidos e cercados”, o poeta dirige-se aos “irmãos humanos tão desamparados” a quem diz: “gostaria de vos dar outros recados/ com pão e vinho e menos mais valia".