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50 anos da Praça da Canção
50 anos da Praça da Canção
José Carlos de Vasconcelos sobre Praça da Canção:
“Hino, bandeira, sonho, arma; trova, romance, canção, crónica – tudo”
14-02-2015

Como explicar que ‘Praça da Canção’, um livro de poemas de Manuel Alegre saído há 50 anos, continue vivo, com sucessivas edições, lido, cantado e tão presente na memória colectiva? José Carlos Vasconcelos (JCV), que viveu com Manuel Alegre em Coimbra os tempos da luta académica do início dos anos 60, e que durante anos, antes do 25 de abril, andou pelo país todo a dizer poemas de Praça da Canção (PdaC), procura explicar esse fenómeno no belo prefácio que abre a edição especial comemorativa do cinquentenário deste livro mítico.

“É difícil, a quem não viveu esse tempo”, escreve JCV, “ter uma ideia ou uma imagem cabal do que (…) representava, e representou, o enorme impacto, a diversos níveis, do aparecimento de Praça da Canção. Que quando foi apreendido e proibido pela polícia já tinha produzido os seus efeitos – e a partir daí começou a circular clandestinamente, copiografado, datilografado, passado à mão. (…) Entretanto, não havia encontro, debate, recital, sessão de canto livre, o que fosse, em agremiação popular ou cultural, cooperativa, grupo de teatro ou musical, associação de estudantes, em que os poemas do Manel não fossem cantados ou ditos. Eu próprio fui dos que durante muitos anos os disse, em vários pontos do país, até ao 25 de Abril (…).”

Testemunho pessoal e ao mesmo tempo tentativa de explicação do enorme impacto e importância de PdaC, o prefácio de José Carlos de Vasconcelos conclui: “Lírico, romântico, épico; epopeia e anti-epopeia; tradição e inovação; discurso e dialética; passado, presente e futuro, vários tempos num só tempo; hino, bandeira, sonho, arma; trova, romance, canção, crónica – tudo.”

" PdaC é um dos livros de poesia mais lidos, mais difundidos e mais marcantes, no seu tempo, da poesia portuguesa de sempre" diz ainda JCV. Mas não apenas pelo seu contexto histórico. Há em PdaC um apelo ético e poético, sublinha, que “só é possível, só é eficaz, como no caso foi, quando a poesia tem qualidade. E só atinge a importância e dimensão que com PdaC atingiu quando se trata de um grande poeta como Manuel Alegre.”

Leia AQUI o prefácio "Quando a poesia faz e se faz história", de José Carlos de Vasconcelos