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Manuel Alegre, Gil Nadais e Paulo Sucena na sessão de homenagem na biblioteca municipal
Manuel Alegre, Gil Nadais e Paulo Sucena na sessão de homenagem na biblioteca municipal
Na comemoração dos 50 anos de Praça da Canção
Manuel Alegre homenageado em “casa”
22-04-2015 Isabel Gomes Moreira, Região de Águeda

Manuel Alegre foi homenageado, no sábado, com o descerramento de uma placa, em frente à biblioteca, baptizada com o seu nome, assinalando-se assim o lançamento da edição comemorativa dos 50 anos de Praça da Canção, em Águeda.´Manuel Alegre já tinha lançado a edição comemorativa dos 25 anos de Praça da Canção em Águeda e voltou a escolher a sua terra natal para o lançamento da edição comemorativa dos 50 anos. Isso mesmo foi lembrado na cerimónia pelo próprio poeta.

O auditório da biblioteca municipal encheu para assistir ao lançamento do livro, apresentado pelo professor universitário aguedense Paulo Sucena, por José Carlos de Vasconcelos (director do Jornal de Letras) e por Paulo Morão, professora catedrática da faculdade de letras da Universidade de Lisboa.

Na oportunidade, Gil Nadais, presidente da câmara de Águeda, sublinhou o facto de “Praça da Canção” ser uma “referência na literatura nacional”.

Paulo Sucena, por sua vez, referiu-se sobretudo à maneira como Praça da Canção foi recebido em Águeda e no país. “Nenhum livro vendeu mais e causou uma empatia tão grande”, referiu o professor universitário, sublinhando que Águeda ajudou a vender rapidamente os livros.

Mas Paulo Sucena quis sobretudo afirmar a ideia de que Manuel Alegre é um “filho de Águeda”.

“Uma poesia que vai direita ao coração”, disse ainda Paulo Sucena, acrescentando que Praça da Canção “ainda não perdeu a frescura”.

Uma ideia que também foi defendida por Paula Morão, quando disse que “este livro parece-me absolutamente de hoje”. Manuel Alegre serve-se da metáfora e da alegoria para dizer a realidade do país”, acrescentou a professora catedrática.

“Nada mais tocante do que ter uma cerimónia assim na sua terra, na biblioteca que tem o seu nome” disse, por sua vez, José Carlos de Vasconcelos. “Uma poesia que continua viva, fresca actual,” disse, por fim, o director do Jornal de Letras.

“Não sou comendador que dá oferendas para os cortejos…”
“É para mim muito perturbador e comovente estar aqui”, começou por dizer Manuel Alegre, revelando que tinha 22 anos quando escreveu os primeiros versos de Praça da Canção e 28 quando escreveu os últimos.

O autor aproveitou a cerimónia e o facto de estar em Águeda para repetir aquilo que já tinha afirmado na recente entrevista que deu ao RA: “as pessoas que dizem que não ligo muito a Águeda não conhecem Águeda nem a sua história.” “Ninguém aqui me ensina a ser de Águeda”, acrescentou ainda.

“A palavra poética volta a ser necessária para dizer e exprimir aquilo que os discursos políticos não dizem”, defendeu o poeta.

“Cada livro que eu escrevo é também por Águeda”, disse ainda Manuel Alegre, deixando mais uma resposta aos que o criticam: “Não sou comendador que dá oferendas para os cortejos…”

Praça da Canção
Recorde-se que o livro Praça da canção foi editado pela primeira vez em 1965 mas logo foi proibido pelo regime instituído de censura prévia da ditadura. Apesar de proibido e confiscado pela polícia, o livro circulou clandestinamente transformando-se num dos livros de poesia mais lidos e mais difundidos no seu tempo.

O poeta, que nasceu em Águeda em 1936, é também um dos mais cantados. Entre os nomes que gravaram letras suas, destacam-se Amália Rodrigues, Adriano Correia de Oliveira, José Afonso, Carlos do Carmo, Luís Cília, Janita Salomé e João Braga.

A cerimónia de comemoração dos 50 anos de Praça da Canção terminou com um momento musical, protagonizado por Jorge Castro Madeira (voz), José Paulo (Guitarra) e Carlos Teixeira (Viola), que comoveu o poeta.