Nós voltaremos sempre em maio
Manuel Alegre
InícioManuel AlegreNotíciasAgendaOpiniãoPresidenciais 2011LinksPesquisa
YouTube Twitter FaceBook Flickr RSS Feeds
> Notícias
*
Fernando Medina sobre Manuel Alegre:
“Manuel Alegre ganhou a honra de fazer parte da história”
03-05-2016 com CML e DN

“Manuel Alegre ganhou, por direito próprio, a honra de fazer parte da história de Lisboa e de Portugal” disse Fernando Medina na cerimónia de entrega da medalha municipal de honra da cidade de Lisboa ao poeta, realizada ontem, no dia em que passavam 42 nos sobre o seu regresso do exílio. Alegre partilhou a medalha com a sua família e “com todos os companheiros de resistência, todas e todos os que sofreram prisões, torturas, exílio, todas e todos que ao longo de quase meio século nunca se renderam e mantiveram acesa a chama da Liberdade, reconquistada a 25 de Abril”.

A medalha foi entregue ao homenageado pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa num ato presenciado pela família do poeta, pelo ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, pela presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, Helena Roseta, por deputados da Assembleia da República, vereadores da autarquia lisboeta e presidentes de juntas de freguesia, pela embaixadora da Argélia em Lisboa, Fatiha Selmane, e por muitos amigos e leitores de Manuel Alegre, que encheram o Salão Nobre da Câmara de Lisboa.

José Carlos de Vasconcelos, que proferiu o elogio do homenageado, lembrou que há 42 anos “Manuel Alegre era um mito e uma legenda”, por força dos seus primeiros livros, ‘Praça da Canção’ e ‘O Canto e as Armas’, que circularam clandestinamente em cópias manuscritas, e da sua voz inconfundível aos microfones da “Voz da Liberdade”, emitida a partir da Argélia. Num discurso pleno de testemunhos pessoais, José Carlos de Vasconcelos recuou aos tempos da vida académica coimbrã, sublinhando a importância de "Trova do vento que Passa" e dos demais poemas de ‘Praça da canção’ e ‘O Canto e as Armas’, que tiveram largo eco entre os portugueses - sobretudo entre os meios oposicionistas, os estudantes e os intelectuais.

Traçando a biografia de Manuel Alegre, o decano do jornalismo português enalteceu o homem que sempre viveu a resistência à ditadura e cuja "atuação cívica nunca esmoreceu". Sobre o poeta, reconheceu que "em nenhum outro escritor português a sua vida está tão presente na sua obra", pois, "para ele, a poética é também uma ética", sendo um "cidadão que merece a poesia", um "sebastianista do avesso". "Quando regressou a Portugal, Manuel Alegre era um mito e uma legenda", que permanece até hoje para toda a sua geração, concluiu José Carlos Vasconcelos.

Depois da actriz Maria do Céu Guerra ter feito vibrar o público com cinco poemas de Manuel Alegre, quatro dos quais dedicados a Lisboa, Fernando Medina dirigiu-se à "figura incontornável da luta política e da literatura", ao homem que "nunca baixou os braços na sua oposição à ditadura fascista", para garantir que "Lisboa reconhece e valoriza esta homenagem" - um contributo para que "a sua entrega à causa da liberdade e da cidadania não seja esquecida" e para que "a sua obra seja de grande utilidade para as gerações futuras". Medina sublinhou ainda o facto de Manuel Alegre ser a figura, de entre toda a esquerda portuguesa, que mais intensamente se reclamou sempre do patriotismo.

Após receber a medalha, Manuel Alegre agradeceu ao "irmão de geração" José Carlos Vasconcelos e a Maria do Céu Guerra pelas suas intervenções nesta sessão, aos militares de Abril, na pessoa do presidente da Associação 25 de Abril, Vasco Lourenço, pela liberdade reconquistada, e ao edil lisboeta, Fernando Medina, "pela sua iniciativa", aprovada por unanimidade pela vereação camarária. Nas palavras do poeta, "nasci pela primeira vez em Águeda, uma segunda vez em Coimbra e, agora, tenho a sensação de nascer uma terceira vez em Lisboa". "Mas, na verdade, estou em Lisboa desde as Crónicas de Fernão Lopes", confidenciou Manuel Alegre, que referiu muitas outras referências história de Portugal e de Lisboa, “capital de império que mesmo sem império continua a ser uma das grandes capitais do mundo”, para concluir que "estou aqui há séculos".