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Manuel Alegre
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Manuel Alegre em Braga, na entrega do prémio DST:
"Às vezes só os poetas podem dar este grito de libertação"
04-07-2016 com Diário do Minho de 3.7.2016

“Às vezes só os poetas podem dar este grito de libertação”, afirmou Manuel Alegre em Braga, na cerimónia de entrega do grande prémio literário dst ao seu livro de poemas “Bairro Ocidental”, lembrando Luís de Camões. O poeta acusou os políticos portugueses de não saberem nada de história. «Só quem não percebe nada de história pode permitir um insulto a Portugal como aquele que fez o ministro das finanças alemão, Schäuble», afirmou.

A gala de entrega do Grande Prémio de Literatura dst, que decorreu anteontem no Theatro Circo de Braga, acabou por ter um forte pendor político. Afinal, o "Bairro Ocidental" é uma obra literária, mas é igualmente um livro de protesto e indignação à intervenção da Troika em Portugal. Aliás, para o presidente do júri, Vítor Aguiar e Silva, «o "Bairro Ocidental" retrata as ditaduras que nos governam. É uma obra poética que retrata fielmente a história recente de Portugal após o pseudo-resgate imposto pela Troika», que trouxe o desemprego, o «brutal aumento de impostos», as crises na educação e na saúde, entre outros setores. Imposições que reduziram Portugal a um mero "bairro ocidental", sem nome, sem história e sem cultura. Aguiar e Silva considerou Manuel Alegre como «um poeta maior» da literatura portuguesa.

Sentindo-se num ambiente propício, mas também ainda com revolta pelo que se passou em Portugal e que continua a passar-se na Europa, Manuel Alegre não teve dúvidas em declarar-se «muito contente com o brexit». E justificou porquê: «só o Reino Unido tinha a coragem de dar este murro na mesa. Foi uma lição de liberdade do povo britânico. Sei que pode ter aspetos negativos, mas é preciso dizer não a esta ditadura imposta pelos senhores de Bruxelas», disse.

O ministro da Cultura não esteve presente, mas o seu adjunto, Hernâni Loureiro, leu uma carta de Luís Filipe Castro Fernandes, onde congratula Manuel Alegre pelo prémio, bem como a promotora DST. Pelo meio das intervenções, Rui Madeira e Sílvia Brito, da Companhia de Teatro de Braga, foram lendo poemas do livro "Bairro Ocidental".

A gala terminou com uma sessão de autógrafos de Manuel Alegre. A cerimónia teve outro momento cultural com atuação de Aline Frazão, que apresentou o seu mais recente trabalho discográfico “Insular”. Uma atuação muito aplaudida pelos presentes no Theatro Circo.

Cultura também gera competividade
"Se tivesse que encontrar uma causa para estarmos tão competitivos, diria que é por sermos uma empresa culta. O que quer dizer que a cultura também pode gerar riqueza e competitividade», afirmou José Teixeira, presidente da dst. Questionado sobre a razão da atribuição do Grande Prémio, o CEO da dst não poderia ser mais objetivo, considerando que a empresa também tem muito a ganhar. «Esta é a nossa taxa que pagamos à cidade e ao país. A aposta na cultura corresponde a uma estratégia da nossa empresa. A dst está a crescer. E estou convencido que a causa desse crescimento, neste meio da construção civil, tão complicado, tão competitivo, também é devido ao investimento na cultura nas mais variadas vertentes."

Apesar de ser um poeta "calejado" de prémios em diferentes latitudes, Manuel Alegre garantiu que o Grande Prémio de Literatura dst 2016 pelo livro "Bairro Ocidental" não foi apenas mais um: "Este prémio tem um significado especial. Porque é atribuído por uma empresa de construção civil que aposta sistematicamente na cultura, que é uma coisa rara no nosso país. A dst é uma empresa precursora na forma de lidar com a cultura. Patrocina teatro, livros, artes, música, entre outras. Isto não é uma coisa ocasional. É uma empresa que faz um trabalho único», elogiou.

Por outro lado, acrescentou, este Grande Prémio de Literatura foi atribuído por um júri, presidido pelo professor Vítor Aguiar e Silva, e composto por pessoas que me merecem todo o respeito, como José Manuel Mendes e Carlos Sousa», afirmou.

Manuel Alegre apresentou ainda outra justificação para a sua satisfação. «Trata-se de um livro com muitos recados, que foram compreendidos. E isso deixa-me muito satisfeito e tem, por isso, um grande significado. Quando se escreve não é a pensar em prémios. Mas neste caso, se foi premiado é porque, além da qualidade literária, atingiu o objetivo que foi a denúncia da situação concreta», disse.