Vi o meu país a arder, sei que morreram cem pessoas em quatro meses e não consigo ficar calado.
Manuel Alegre
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Manuel Alegre será o primeiro galardoado com prémio literário Guerra Junqueiro
20-05-2017 com Lusa

O poeta e escritor Manuel Alegre será o primeiro galardoado com o prémio Guerra Junqueiro, instituído pelo Freixo Festival Internacional de Literatura (FFIL), que decorre em Freixo de Espada à Cinta, de 01 a 03 de junho. No Festival será debatida a oportunidade de incluir Guerra Junqueiro (1850-1923) no Plano Nacional de Leitura, assim como instituído o prémio literário com o nome do escritor, que vai ser atribuído, nesta primeira edição, a Manuel Alegre.

Em declarações hoje à agência Lusa, a presidente da Câmara Municipal de Freixo de Espada à Cinta, Maria do Céu Quintas, disse que o FFIL tem por objetivo recolocar o nome de Guerra Junqueiro no panorama nacional. "Eu diria mesmo devolver o poeta nascido em Freixo de Espada à Cinta a Portugal, já que se trata de um dos maiores poetas do século XX, sendo neste contexto que nasceu o FFIL, iniciativa carregada de conferências, literatura e arte pública", explicou. A autarca refere que se trata de uma iniciativa cultural "única" que nasce num "território periférico" como Freixo de Espada à Cinta e que consegue reunir escritores de renome nacional e internacional.

Guerra Junqueiro teve um papel extremamente importante no cenário cultural de Portugal. Classificado como o "Victor Hugo português", foi considerado, por muitos, o maior poeta social português do século XIX. Recebeu o reconhecimento de escritores contemporâneos, como Eça de Queirós, que o considerou "o grande poeta da Península", Sampaio Bruno, que viu nele o maior poeta da contemporaneidade, e Teixeira de Pascoais, que o classificou "um poeta genial". Fernando Pessoa manifestou a sua admiração por Guerra Junqueiro, classificando “Pátria” uma obra "superior aos Lusíadas". Miguel de Unamuno, escritor espanhol, também o considerou "um dos maiores poetas do mundo".

Manuel Alegre irá participar na conferência que abordará a obra de Junqueiro, juntamente com Mário Cláudio e Fernando Pinto do Amaral, entre outros. Paralelamente ocorre uma feira do Livro, em homenagem a Guerra Junqueiro, e será lançado um livro de poemas de Tsegay Mehari, natural da Eritreia refugiado na Suécia, que relata a vida de um preso, jornalista de profissão, acusado de escrever poemas de amor pelo seu país, pela sua família e pela natureza.

Segundo os promotores do FFIL, a iniciativa transfronteiriça pretende transformar-se num "palco de arte pública" e contará com a presença de mais de uma centena de alunos provenientes de escolas de Freixo, Salamanca, Viana do Castelo e Macedo de Cavaleiros que apresentarão diversos trabalhos sobre a temática do festival.

O FFIL encerra dia 03 de junho com leituras dos poemas de Guerra Junqueiro, a bordo de um barco, entre as arribas do Douro Internacional, que o poeta tantas vezes percorreu e onde colheu inspiração.