"Precisamos de um barco. Um barco para chegar / a Ítaca dentro de nós: tão em si mesma perdida"
Manuel Alegre
InícioManuel AlegreNotíciasAgendaOpiniãoPresidenciais 2011LinksPesquisa
YouTube Twitter FaceBook Flickr RSS Feeds
> Notícias
*
Em reedição fac-simile
Praça da Canção – um tesouro da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra
16-10-2021 com Público

Praça da Canção, de Manuel Alegre, é um dos tesouros da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, uma das mais antigas bibliotecas do mundo. Foi publicado em 1965 no Cancioneiro Vértice, uma colecção da famosa revista coimbrã que queria modular a poética realista.

É agora publicado na Col. Ex-Líbris – Tesouros das Bibliotecas de Portugal, Volume IV, em versão fac-similada de capa dura, pelo jornal Público, em parceria com a editora A Bela e o Monstro e com o apoio da The Navigator Company.

São 12 volumes, 12 obras raras e insubstituíveis provenientes de 12 bibliotecas do Norte a Sul do país, entre as quais Rhythmas, de Camões, a Grammatica da Lingoagem Portuguesa, de Fernão Oliveira, a primeira gramática da língua portuguesa e Verdadeira Informação das Terras do Preste João das Índias, do padre Francisco Álvares, que “viu e escreveu” em 1540 o que se passava a oriente.

Serão editados também nesta colecção, entre outros tesouros das bibliotecas nacionais, Da Fabrica Que Falece há Cidade de Lisboa..., de Francisco da Holanda e Rimas, de Bocage.

Em Praça da Canção, “a maturidade do jovem poeta era visível”, conta António Pedro Pita, especialista da Faculdade de Letras de Coimbra. “Manuel Alegre situava-se na complexidade das tensões poéticas dos anos 60. Situar-se, quer dizer: delimitar o seu lugar — uma voz, uma poética.”

O livro de Alegre marcou para sempre toda uma geração de jovens portugueses que ao longo dos anos 1960 se empenharam na contestação estudantil nas universidades e lutaram contra a guerra nas ex-colónias africanas. Praça da Canção recorre à História de Portugal para através desse passado colectivo interrogar o presente e o futuro do país, conseguindo aliar um poderoso sopro épico e um lamento pela condição dos portugueses no tempo em que foi escrito.

Sabe-se que a biblioteca da Universidade se mudou para Coimbra em 1537, mas há registos de uma Livraria de Estudo de 1513. Tinha “setenta livros de toda a ciência que estavam na dita livraria nas Escolas Velhas”. Actualmente reparte-se por dois edifícios, sendo a Biblioteca Joanina um monumento nacional, pela sua riqueza arquitectónica e decorativa. Ambos reúnem aproximadamente um milhão de títulos.