"É preciso subverter o discurso cinzento e tecnocrático e recuperar a força primordial da palavra"
Manuel Alegre
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Manuel Alegre em entrevista a Judite de Sousa sobre as presidenciais:
“Marcelo faz desta eleição um recreio, mas pode ter uma surpresa”
07-01-2016

"Marcelo Rebelo de Sousa esteve anos a fazer comentários na televisão e isso tornou-o uma pessoa muito conhecida, mas ele está a pôr foguetes antes da festa”, disse Manuel Alegre ontem, em entrevista a Judite de Sousa na TVI e na TVI24, em que analisou a campanha às eleições presidenciais, acreditando que ainda pode haver uma segunda volta. “Ele está a fazer disto uma espécie de recreio, está-se a distrair e está-se a divertir. Contudo, os debates não lhe correram bem, sobretudo o debate com a Marisa Matias, correu-lhe muito mal”, afirmou.
Veja um excerto da entrevista AQUI

Marcelo “quer agradar a toda a gente, disse ainda Manuel Alegre, que afirmou: “Parece que ele está mais empenhado em agradar à Esquerda e até ao PS do que em agradar ao PSD e ao CDS, até parece que os afasta. Mas, quem se esquece dos seus, corre o risco de os perder. Penso que ele julga que está eleito, mas não há coroações em democracia, não há vencedores antecipados”, defendeu.

Para Manuel Alegre é muito possível que Marcelo Rebelo de Sousa tenha de disputar uma segunda volta das presidenciais, não só porque há muitos candidatos, mas também porque os candidatos do PCP e do Bloco de Esquerda têm capacidade para fixar os eleitorados e, “no fim, tudo soma”, avisou. “E como são muitos candidatos, se ele continua a fazer desta eleição um recreio, pode ter uma surpresa”, reiterou Manuel Alegre.

Questionado sobre se António Guterres seria o candidato do PS, Manuel Alegre afirmou que “sem dúvida nenhuma, se Guterres fosse candidato à Presidência da República, uniria todos os socialistas, não haveria mais dúvidas sobre isso, nem mais discussão. E penso que Marcelo pensaria três vezes. Não tenho a certeza que ele se apresentasse contra Guterres”, referiu. Mas "esperou-se tanto pelo Guterres”, lembrou, apesar de ele, Alegre, ter avisado que ele não seria candidato, “as pessoas acreditaram tanto nisso até à última da hora” que depois “ficaram órfãs”.

É a primeira vez que o PS não apoia ninguém nas Presidenciais
Sobre a posição do Partido Socialista na corrida a Belém, Manuel Alegre admitiu que "o PS sempre se dividiu nas presidenciais", mas "o erro de muitos foi terem acreditado numa possível coabitação com Cavaco Silva". "Alguns acreditaram que ele seria mais fácil do que eu na Presidência", comentou o antigo candidato presidencial. A história recente, lembrou, mostra a importância da função presidencial.

“Eu acho que a candidatura presidencial é um ato pessoal. A minha primeira candidatura (como independente em 2006) foi isso: foi uma candidatura muito genuína, pioneira e acho que não volta a repetir-se”, sublinhou.

Desta vez, contudo, Manuel Alegre entende que o partido se dividiu sem necessidade. Alegre frisou que se os socialistas queriam apoiar Sampaio da Nóvoa, deviam tê-lo feito logo desde o início. "A partir daí houve outra vez uma divisão", justificou. Mas é a primeira vez, salientou, que o PS não apoia nenhum candidato.

“Sou leal a quem me foi leal”
Mostrando um apoio firme a Maria de Belém, o histórico socialista sublinhou que "ela é uma construtora do Estado Social”. “Eu apoio Maria de Belém por uma questão pessoal, porque sou leal a quem me foi leal”, disse, adiantando: “É uma pessoa de carácter, de convicção. Maria de Belém é uma falsa frágil, é uma pessoa de convicções, muito firme nessas convicções e alia os valores socialistas, o socialismo democrático, moderado, com os valores sociais da Igreja.”

Para Manuel Alegre, Maria de Belém tem qualidades que a tornam um “peso pesado” na corrida eleitoral: "Sei que na Presidência da República ela não será uma pessoa redutora, saberá fazer pontes e saberá ir muito para além dos apoios partidários ou dos apoios eleitorais que possa ter.”

Sobre Sampaio da Nóvoa, Manuel Alegre disse que tem consideração pelo académico, mas registou a sua admiração por nunca se ter cruzado em nenhum combate político com ele.

Sobre a atuação do atual Presidente da República, Manuel Alegre criticou Cavaco Silva por ter tido “dois pesos e duas medidas” perante o anterior Governo. “Cavaco Silva desfigurou um elemento essencial: o poder de ser árbitro, de moderador, de ser o Presidente dos portugueses e não parecer que é apenas de uma parte. E isso é incompatível com a posição de um Presidente", concluiu.