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Manuel Alegre
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Manuel Alegre aos jovens socialistas em Santa Cruz:
“É preciso ir buscar inspiração aos socialistas genuínos que construíram o Estado Social”
27-08-2015 com Lusa

Manuel Alegre defendeu hoje que é preciso ir buscar inspiração aos socialistas genuínos que construíram o Estado Social no pós-guerra. Reconhecendo não ser “um combate fácil”, Manuel Alegre elogiou o “programa inteligente” do PS, prometendo “criar uma alternativa diferente no plano político, no plano económico e no plano social”, sem, no entanto, prometer “uma ruptura com as regras” e alertou para a importância do combate que se vai travar nas próximas eleições em Portugal.

“A coligação de direita aproveitou a situação em que estava o país para pôr em prática o seu próprio plano ideológico, desvalorizou o trabalho, baixou as pensões, vendeu os bens públicos, sectores estratégicos da nossa economia ao desbarato”, acusou Manuel Alegre, que exortou os jovens socialistas a empenharem-se nas próximas legislativas, que são um “combate decisivo para o futuro do nosso país”.

É preciso criar uma alternativa à política do Governo que “atacou duramente o Estado social”, e que agora “tem como projeto a privatização da Segurança Social”, afirmou em Santa Cruz, no concelho de Torres Vedras, perante dezenas de jovens socialistas que instou a não terem “ilusões”. “É com pequenos passos em cada país, e com a coordenação entre o nosso país e outros, que se podem dar depois outros passos para salvar o projecto europeu”,já que a Europa está hoje “pervertida e subvertida”, com “as políticas de austeridade, com ausência de um projecto comum, com a desigualdade entre as nações, com um fluxo migratório nunca visto, com as sondagens a darem a maioria a Marine Le Pen em França, com grandes perturbações na política italiana”. Se não houver uma “maior coordenação dos partidos socialistas, vamos assistir a uma emergência da xenofobia e dos partidos da extrema-direita em toda a Europa”, alertou.

Mas a mudança necessária, quer em Portugal quer na Europa, “não se faz sem regressarmos à origem do socialismo”, ao início da construção do Estado social, defendeu, dizendo que “não é por haver crise que este tem de ser posto em causa”. Manuel Alegre afirmou a necessidade de rejeitar como referência a terceira via de Tony Blair e recordou Attlee, na Grã-Bretanha, Olof Palme, na Suécia e Willy Brandt, na Alemanha, esses sim referências fundamentais da construção do socialismo na Europa. Alegre considerou que é preciso ir buscar inspiração a estes pioneiros, frisando que eles lançaram as bases do Estado Social numa Europa destruída pela guerra. Alegre lembrou que, assim como o muro de Berlim se abateu sobre a esquerda, as cedências de muitos socialistas ao pensamento único abateram-se sobre o socialismo democrático, abrindo caminho à ditadura financeira e a uma “economia que mata”, citando o Papa Francisco.

Convicto de que as pessoas que “sofreram estas políticas não vão esquecer" e apesar daquilo que dizem os comentadores, acredita que no dia 4 de outubro, data das legislativas, o PS vai "mesmo descolar e eles vão levar uma lição”.

Manuel Alegre falava no âmbito do "YES Summer Camp", um acampamento de jovens socialistas europeus a cuja organização a JS se candidatou, estando reunidos em Santa Cruz cerca de mil jovens.