"Nada está adquirido, tudo está a andar para trás muito depressa"
Manuel Alegre
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Manuel Alegre em entrevista à RTP1:
“O país não pode viver sem esperança”
02-06-2010 RTP 1


"Os portugueses não estão disponíveis para viver sem esperança", afirmou Manuel Alegre esta noite na entrevista concedida a Judite de Sousa na RTP1. "Se não criarmos uma grande mobilização de forças para vencer esta dependência do exterior, seremos um país cada vez mais dependente", alertou o entrevistado.
Veja a entrevista AQUI

Respondendo com serenidade a todas as questões colocadas pela jornalista, o candidato presidencial fez questão de recordar: “Não estive à espera de ninguém para apresentar a minha candidatura”, explicando a sua génese pela “rede política, afectiva, cívica” criada há cinco anos. Quanto ao apoio do PS, o candidato considerou-o “natural”, por sempre ter estado “na linha da frente” de todos os combates fundamentais, mas deixou claro que irá gerir a sua campanha presidencial numa óptica de interesse nacional, ultrapassando as naturais divisões político-partidárias. "A minha candidatura não é uma candidatura de partidos" disse ainda Manuel Alegre, frisando: “Não me candidato para governar nem para derrubar o governo”.

Manuel Alegre convidou Cavaco Silva a clarificar a sua recandidatura, sublinhando que não é “professor de finanças”. Alegre criticou a “ilusão” criada pelo actual PR de que poderia resolver a situação em que o país se encontra. O candidato defendeu que o PR tem que ter “voz activa” na crise internacional, sublinhando a importância de uma politica alternativa a nível europeu. “A Europa atrasou-se muito”, criticou Manuel Alegre que recordou que o grande problema não é o das finanças públicas, mas o do endividamento privado, que pressiona as finanças públicas: “A UE organizou um grande plano de austeridade, quando nós precisamos é de solidariedade”. "Tudo isto tem de ser discutido, reforçou, a Europa está a transformar-se numa soberania muito limitada para as nações mais frágeis".

“Precisamos de crescimento”, disse Manuel Alegre, considerando que “as prestações sociais são um factor de desenvolvimento”, invocando a experiência de Lula da Silva e defendendo a necessidade de investimento público, nomeadamente em escolas, hospitais e barragens, para combater uma situação recessiva. Manuel Alegre considerou o acordo entre o PS e o PSD como resultando de uma emergência nacional e defendeu o "o diálogo com todos", incluindo os sindicatos, para enfrentar a crise. “O Presidente não se pode substituir ao governo, mas tem de mobilizar” disse ainda Manuel Alegre. “As pessoas não podem viver assim, têm de ter uma esperança” mesmo nas situações mais difíceis.

Sobre a posição crítica de Mário Soares quanto à sua candidatura, Manuel Alegre sublinhou com “fair-play” democrático o direito à opinião do ex-presidente da República: "a opinião é livre e foi por isso que nós lutámos". Alegre afirmou que os combates que travaram juntos permanecem na sua memória e na história da democracia, mas recordou que no PS nunca houve unanimidade na escolha de um candidato presidencial e que em 2005 a decisão a favor de Mário Soares foi igualmente tomada por votação de braço no ar.

"Há quem queira rever a Constituição para pôr em causa os direitos fundamentais" e esse "é um dos temas da campanha presidencial" lembrou Manuel Alegre, que, a propósito de eventuais quedas do governo, alertou para o programa que foi enunciado por Marcelo Rebelo de Sousa no último Congresso do PSD, quando defendeu a tese de "uma maioria, um governo, um presidente". O candidato afirmou: "Acho que há esse risco". Se o candidato da direita ganhar, pode haver "a tentação" de provocar a queda do governo, alertou, dizendo esperar que "a esquerda esteja atenta", porque também é isso que estará em causa nas eleições presidenciais.