"Não gosto de engenharias sociais ou artificiais messiânicas"
Manuel Alegre
InícioManuel AlegreNotíciasAgendaOpiniãoPresidenciais 2011LinksPesquisa
YouTube Twitter FaceBook Flickr RSS Feeds
> Notícias
*
Manuel Alegre em entrevista à SIC Notícias
“Tem que haver um pacto de insubmissão”
23-06-2010

“Tem que haver um pacto de insubmissão” afirmou Manuel Alegre esta noite em entrevista a Ana Lourenço na SIC Notícias, referindo-se à descrença da juventude e às dificuldades com o emprego, a casa, a constituição de família. “As pessoas não podem viver assim”, insistiu o candidato presidencial, “a juventude tem de voltar a ser insubmissa de forma colectiva”.

Foi um candidato seguro e genuíno, capaz de falar com frontalidade de todos os temas, desde a comissão de inquérito à TVI à crise que estamos a atravessar e às formas de lhe fazer frente. Para Manuel Alegre, o Presidente da República tem de ter um papel moderador e mobilizador. “Numa situação como esta, não pode haver cálculo, tem que haver coragem e carácter”, disse ainda Manuel Alegre, que criticou a forma “um tanto distorcida” como Cavaco Silva tem usado os mecanismos de fiscalização de constitucionalidade, remetendo os diplomas do Parlamento ao Tribunal Constitucional sem incluir as questões mais polémicas, mas desvalorizando depois leis que acaba por promulgar.

Manuel Alegre referiu-se à “ofensiva colossal contra o Estado social” que está a ser tentada pela direita na Europa e em Portugal, considerando que se está “a combater o inimigo errado” e que a pressão para que haja mais cortes é “um erro muito grande”. “Não se pode viver num ciclo vicioso de austeridade mais recessão”, nem se pode discutir o problema português sem falar disto, disse o entrevistado.

O candidato salientou que o apoio do PS e de outros partidos e sectores, não apenas da esquerda, tem a ver com a sua personalidade e o seu percurso e garantiu que a sua campanha vai ser “gerida por si”.

Quanto às movimentações na direita, Manuel Alegre recordou que há pessoas com razões fortes que estão descontentes e que “o actual Presidente tem mais problemas com o seu eleitorado do que eu com o meu”, embora não deixasse de sublinhar que ninguém tem o monopólio dos votos.

Confiante no combate que se prepara para travar, Alegre recordou que ao longo da sua vida sempre correu riscos e confessou preferir um Primeiro Ministro “que não vai desistir”, porque isso “é melhor do que a tibieza”, embora salvaguardando que “do ponto de vista económico tem outra visão” e que houve certos sectores do PS que “capitularam”. Para o candidato, Portugal precisa de crescimento económico, emprego e Estado social, e é preciso uma linha de resistência contra o desvirtuamento da Constituição. Repetindo uma frase que lhe é cara, Alegre insistiu: “os direitos sociais são inseparáveis dos políticos”, afirmando “não compreender como se pretende combater a crise com posições que se escudam na ideologia que a provocou”.