Manuel Alegre e o Brasil: "Em momentos de escolhas decisivas não se pode deixar de tomar partido."
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Manuel Alegre à Lusa:
"Portugal deve tentar pagar a dívida, mas não deve aceitar estar de joelhos"
15-12-2011 com Lusa

"Irresponsabilidade é o servilismo" face ao actual projecto da Alemanha, afirmou Manuel Alegre à Lusa, em defesa das declarações proferidas pelo deputado socialista Pedro Nuno Santos sobre pagamento da dívida. "Portugal deve tentar pagar a dívida, mas não deve aceitar estar de joelhos, transformando-se numa colónia dos bancos alemães e da Alemanha", disse ainda o ex-candidato presidencial.

Manuel Alegre saiu hoje em defesa das declarações proferidas pelo deputado e ex-líder da JS, Pedro Nuno Santos, sobre pagamento da dívida, dizendo que irresponsabilidade "é o servilismo e seguidismo" face ao atual projeto da Alemanha.

Pedro Nuno Santos, vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS, defendeu sábado à noite, em Castelo de Paiva, que Portugal devia ameaçar deixar de pagar a dívida nacional. "Nós temos uma bomba atómica que podemos usar na cara dos alemães e franceses - ou os senhores se põem finos ou nós não pagamos. As pernas dos banqueiros alemães até tremem", disse na altura, em declarações captadas pela Rádio Paivense FM e retransmitidas hoje pela Renascença.

Confrontado com o teor desta posição, Manuel Alegre recusou à agência Lusa que se esteja perante "um escândalo" político. "Pelo contrário, acho que estamos muito de joelhos e é uma questão de dignidade dar um grito de alma. Portugal deve tentar pagar a dívida, mas não deve aceitar estar de joelhos, transformando-se numa colónia dos bancos alemães e da Alemanha", disse. Para Manuel Alegre, "a Alemanha parece ter de novo um projeto imperial". "E é bom que haja novos quadros, gente jovem, como o Pedro Nuno, a soltar estes gritos de alma. Precisamos de gente assim, com determinação e com garra para a democracia", sustentou.

Manuel Alegre fez ainda questão de se demarcar da corrente dos socialistas que considerou irresponsável a posição assumida pelo vice-presidente da bancada socialista, sobretudo face a eventuais consequências no plano diplomático. "Irresponsabilidade é a abdicação, irresponsabilidade é a sujeição, a submissão, o servilismo e o seguidismo", contrapôs.