"Não gosto de engenharias sociais ou artificiais messiânicas"
Manuel Alegre
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Manuel Alegre nas “Conversas Improváveis”:
“Portugal não é uma colónia”
26-02-2012 SIC Notícias

Manuel Alegre arrancou uma grande ovação da plateia ao afirmar, no Programa “Conversas Improváveis”, ontem à noite, na SIC Notícias, que Portugal não é uma colónia, referindo-se ao papel negativo da Alemanha na presente crise. Confrontado pelos moderadores sobre Mário Soares, Manuel Alegre confessou que “teria muito gosto” em jantar com ele para “lhe perguntar cara a cara por que razão ele fez os esforços que fez para impedir” que Alegre pudesse ganhar as eleições de 2006 e 2011. “Eu não vou apagá-lo da fotografia, nem tirá-lo dos meus escritos, espero que ele faça o mesmo em relação a mim", disse ainda Manuel Alegre que não deixou de sublinhar o papel histórico de Mário Soares na democracia portuguesa.

Reagindo a declarações muito contundentes de José Cid, o seu parceiro neste programa, Manuel Alegre defendeu as pessoas de José Sócrates e João Soares, não sem recordar os conflitos e disputas que teve com o ex-primeiro ministro, mas afirmando que, se fosse consigo, se teria demitido do governo após o discurso de posse de Cavaco Silva, há cerca de um ano. Criticando Passos Coelho por ter chamado “piegas” aos portugueses, Manuel Alegre recordou os grandes momentos da História de Portugal, concluindo que um povo que fez isto não pode ser piegas.

No final José Cid, depois de elogiar o poeta como “homem impoluto”, cantou um poema de Alegre dedicado a Adriano Correia de Oliveira, “a maior voz masculina” do seu tempo, segundo o músico, e figura mítica da geração que em Coimbra marcou a resistência à ditadura. O poema, intitulado “Adriano”, figura no livro “Coimbra Nunca Vista” e foi escrito por ocasião da morte de Adriano Correia de Oliveira, em 1982.

ADRIANO

Não era só a voz o som a oitava
que ele queria sempre mais acima
nem sequer a palavra que nos dava
restituída ao tom de cada rima.

Era a tristeza dentro da alegria
era um fundo de festa na amargura
e a quase insuportável nostalgia
que trazia por dentro da ternura.

O corpo grande e a alma de menino
trazia no olhar aquele assombro
de quem queria caber e não cabia.

Os pés fora do berço e do destino
pediu uma cerveja e poesia.
E foi-se embora de viola ao ombro.