"A grande poesia não cabe num tweet"
Manuel Alegre
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Quando Manuel Alegre estava preso e escreveu um poema ao Papa
21-06-2012 António Marujo, Público

O poeta e ex-candidato à Presidência da República, Manuel Alegre, contará amanhã, perante bispos e responsáveis da cultura da Igreja, como um seu pedido à polícia política fascista o levou a escrever um poema dedicado ao Papa João XXIII. Foi no Verão de 1963, conta o escritor ao PÚBLICO, antecipando a sua participação na 8.ª Jornada da Pastoral da Cultura, da Igreja Católica, em Fátima. Alegre tinha sido preso em Angola, então colónia portuguesa, depois de participar num levantamento contra o regime. Detido em Luanda, na cadeia da PIDE, a polícia política, Alegre ouviu falar de uma encíclica do Papa João XXIII, sobre a paz no mundo, a Pacem in Terris, publicada em Abril de 1963.

O poeta e ex-candidato à Presidência da República, Manuel Alegre, contará amanhã, perante bispos e responsáveis da cultura da Igreja, como um seu pedido à polícia política fascista o levou a escrever um poema dedicado ao Papa João XXIII.

Foi no Verão de 1963, conta o escritor ao PÚBLICO, antecipando a sua participação na 8.ª Jornada da Pastoral da Cultura, da Igreja Católica, em Fátima. Alegre tinha sido preso em Angola, então colónia portuguesa, depois de participar num levantamento contra o regime. Detido em Luanda, na cadeia da PIDE, a polícia política, Alegre ouviu falar de uma encíclica do Papa João XXIII, sobre a paz no mundo, a Pacem in Terris, publicada em Abril de 1963.

"Pedi para ler a encíclica, mas os carcereiros não o permitiram", conta Manuel Alegre. "Pelos vistos, era um texto subversivo." O texto do Papa dirigia-se "a todas as pessoas de boa vontade" - uma fórmula que era utilizada pela primeira vez nos documentos pontifícios. Nele se falava de liberdade, justiça, de anticolonialismo, direitos culturais, económicos e sociais, bem como da participação das mulheres na sociedade - conta o ex-deputado socialista.

"Para quem lutava pela liberdade, a encíclica foi uma inspiração", diz o autor de Praça da Canção. Por isso, Alegre acabou por escrever um poema Para João XXIII: "Porque não sei de Deus não trago preces./ Sou apenas um homem de boa vontade./ Creio nos homens que acreditam como tu nos homens/ creio no teu sorriso fraternal."

"A encíclica dizia que ninguém tinha a verdade toda. É algo que continua a ser de grande actualidade nesta época de pensamento único, em que nos querem tirar tantos direitos sociais e políticos", diz Manuel Alegre, sobre aquele documento.

João XXIII foi o Papa que convocou o Concílio Vaticano II que, reunindo todos os bispos do mundo em quatro sessões entre 1962 e 1965, encetou a reforma da Igreja. As jornadas de amanhã pretendem evocar os 50 anos da assembleia.