"Nada está adquirido, tudo está a andar para trás muito depressa"
Manuel Alegre
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Manuel Alegre dias antes do Congresso do PS:
“A actual solução governativa restituiu ao Parlamento a sua centralidade”
31-05-2016 Entrevista à Lusa

"Espero que do congresso do PS saia reforçada a orientação política que conduziu ao fim do chamado ‘arco da governação' e à formação deste Governo", disse Manuel Alegre em entrevista à Lusa, dias antes do congresso do PS. "Até aqui a democracia portuguesa estava mutilada de uma das suas partes e a actual solução restituiu ao parlamento a sua centralidade", afirmou. "Apesar de todas as dificuldades, algumas das principais promessas eleitorais têm sido cumpridas” disse ainda Manuel Alegre.

“É uma solução que reconheço ser difícil, já que implica a necessidade de muito diálogo entre partidos que mantêm a sua identidade, mas tenho de prestar a minha homenagem ao PCP e ao Bloco de Esquerda pela forma muito responsável como têm contribuído para que o Governo funcione - e muitas vezes em situações complexas", sustentou.

Confrontado com a posição do eurodeputado socialista Francisco Assis de que o sentido reformista do atual Governo está bloqueado pelo "conservadorismo" do PCP e do Bloco de Esquerda em matérias como o Estado social, Manuel Alegre responde: "Ouvi essas declarações de Francisco Assis, por quem tenho amizade e consideração, mas discordo em absoluto delas". "Este Governo não está nem bloqueado nem manietado pelo Bloco de Esquerda e pelo PCP. Pelo contrário, esses partidos tiveram a coragem de contribuir efectivamente para acabar com o flagelo de um Governo de direita", contrapõe Manuel Alegre.

Ao contrário do que defende Francisco Assis, Manuel Alegre acredita que uma solução que mantivesse o quadro político anterior "contribuiria para retirar ao PS a sua autonomia estratégica". "Se não houvesse esta mudança, o PS estaria capturado pelo PSD. O mérito de António Costa foi ter sabido virar a página. Se me permitem a imodéstia, sempre com o meu apoio em momentos decisivos", vinca. Um eventual entendimento com o PSD, para Manuel Alegre, "sobretudo nas condições atuais, seria um atentado à base eleitoral" do PS, mas também um atentado contra todos aqueles que foram vítimas da governação da direita". "E seria também um atentado à razão histórica do PS. Para fazer o que a direita faz, não são precisos partidos socialistas", salienta.