"Na televisão, os comentadores de futebol substituíram grandes figuras da literatura portuguesa"
Manuel Alegre
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Manuel Alegre sobre a política externa portuguesa:
“Portugal precisa de uma política externa mais activa”
31-05-2016 Entrevista à Lusa

Portugal "tem uma dimensão euroatlântica e euroasiática, tendo por isso de ter uma política externa mais ativa" defendeu Manuel Alegre, em recente entrevista à Lusa. "Um país pequeno como o nosso, mas com uma grande História, precisa de ter uma política externa muito forte. Penso que António Costa tem estado muito bem em relação à Europa, mas é preciso pensar numa estratégia nacional não só para a Europa, mas também para todo o mundo, em especial para os países de língua oficial portuguesa", advertiu.

Comentando a visita do PR a Moçambique, Manuel Alegre diz ter gostado da informalidade que caracterizou a recente visita de Estado, pois o PR foi "genuíno - e eu gosto das coisas genuínas". "Entre o Presidente da República e o povo moçambicano houve afectividade recíproca. Mas a política externa tem de ser feita pelo Governo e não tenho aí visto nada de novo do Governo em relação a África. É preciso ir mais longe", declarou, num recado directo ao executivo de António Costa.

"Espero que o governo do PS, apoiado pelo PCP e pelo BE, seja uma fonte de inspiração para a esquerda europeia"

Sobre a Europa, Manuel Alegre espera que no Congresso do PS se proceda uma reflexão sobre o estado actual da Europa, "porque o projecto europeu está a ser traído". "A Europa tal como está é uma fraude. Este Governo incomoda muito a direita portuguesa e a direita europeia. Como já disse, António Costa não provoca, mas também não se deixa provocar. António Costa não afronta, mas também não se coloca de joelhos na Europa. É uma atitude inteligente", defendeu Manuel Alegre em recente entrevista à Lusa. Manuel Alegre critica a corrente, segundo ele sobretudo bem representada entre os comentadores das televisões, "que até parece contente quando se fala na ameaça de sanções a Portugal".

"É uma doença ideológica. Temos de pensar primeiro no interesse nacional e, partir daí, tentar que a Europa mude. O Governo deve falar com toda a gente, mas não podemos aceitar uma Europa de soberania limitada, inspirada na velha doutrina Brejnev. Este é um problema essencial", insiste Manuel Alegre, que recusa ser "um optimista beato sobre a Europa" e ataca a trajectória seguida pelos partidos socialistas, sobretudo a partir da década de 90.
"Penso que a Europa está como está também devido à capitulação de muitos dos partidos socialistas europeus e da sua cumplicidade objectiva com os conservadores que hoje dominam a Europa. Espero que o Governo do PS, apoiado pelo Bloco de Esquerda e pelo PCP, que é um Governo pioneiro, seja uma fonte de inspiração para a esquerda europeia", diz.

Sobre a existência de divergências profundas entre o PS e os partidos à sua esquerda em relação à participação de Portugal no projecto europeu, Alegre entende que "o diálogo e a vontade de convergência também a este nível podem ajudar a resolver algumas questões".
"Esta Europa, tal como está, dá até razão a algumas das posições do PCP e do Bloco de Esquerda. Embora entenda que o Bloco de Esquerda e o PCP deveriam perceber que a solução não é sair da União Europeia, mas mudar a União Europeia", advoga Manuel Alegre.