"Corri riscos, estive com pessoas que pertencem à História. Tudo isso fez de mim aquilo que sou."
Manuel Alegre
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Publicado na Revista ctxt, em Espanha, e na revista Internazionale, em Itália
Portugal 2017: “A aliança das esquerdas funciona”
09-03-2017 Felipe Nieto, ctxt e Internazionale

A partir de Lisboa, Felipe Nieto analisa na revista ctxt – Contexto e Acción, de 8.2.2017, a experiência da “geringonça”, lembrando desde logo o Tejo, pelas palavras de Manuel Alegre: “Este rio que sabe a mar profundo / e dentro da cidade é rua e rio / e em cada rua dá a volta ao mundo / e de Lisboa fez nosso navio.” (Bairro Ocidental, 2015). O texto de Felipe Nieto foi republicado em Itália, na revista Internazionale, de 3-9 março de 2017, revelando a curiosidade da Europa, nestes tempos sombrios, por um “esperimento di sinistra” com sucesso em Portugal. Manuel Alegre, “não apenas patriarca das letras portuguesas, mas também exemplo vivo e respeitado de lutador desde os tempos da ditadura salazarista” é uma das referências do trabalho de Felipe Nieto.

Para Felipe Nieto, “a frágil estabilidade dos acordos de governo da esquerda portuguesa continua a ser uma realidade positiva, cada vez mais celebrada pela maioria da sociedade e pelos implicados. É o triunfo de um pragmatismo que, por agora, a todos favorece, como muito bem expressou o Secretário Geral do PCP, Jerónimo de Sousa” recorda-me, escreve, Manuel Alegre. Trata-se de melhorar a vida dos portugueses, “Quanto melhor, melhor”, ao contrário de tácticas oportunistas que exploram, para o seu crescimento, o mal estar e o descontentamento. (…)

A concluir a sua análise, Felipe Nieto volta a Manuel Alegre: “Estas notas não podem acabar senão com optimismo, como o que me transmitiu o último dos meus entrevistados, o escritor, poeta acima de tudo, Manuel Alegre, aos seus 80 anos não apenas patriarca das letras portuguesas, mas também exemplo vivo e respeitado de lutador desde os tempos da ditadura salazarista, que o levou à prisão, à perseguição e a um exílio de dez anos. Não deixou de se sentir livre, como afirmava na “Praça da Canção”, o seu primeiro livro, proibido e de circulação clandestina: “… mas eu sou livre / que não pode morrer cativo / quem pela Pátria morre e só por ela vive.” Desde a Revolução de 1974, empenhado na causa da democracia nas fileiras do socialismo, na ala esquerda do PS, Alegre concluiu perante mim, reflectindo sobre os acordos de governo vigentes, que “foram bons para a democracia… porque todas as forças implicadas podem intervir, podem fazer política para o bem estar dos cidadãos…”.