"Quem vota no PS vota na liberdade, não em qualquer forma de extremismo ou dogmatismo, seja ele político ou animalista."
Manuel Alegre
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Manuel Alegre ao Público:
"Gostaria que pudesse voltar-se ao espírito de confiança, mas parece-me muito difícil"
27-10-2021 Margarida Gomes (texto), Daniel Rocha (foto), Público (excerto), título nosso

O histórico dirigente socialista Manuel Alegre alerta para o “prejuízo” que os portugueses vão sofrer se o OE não passar e diz que “há que ter noção de que não se fazem revoluções ideológicas, políticas ou sociais pela via orçamental”.

“Se o Orçamento não for aprovado, vão ser os portugueses a sair prejudicados uma vez que iriam beneficiar de um conjunto de direitos sociais — alguns deles até resultaram de negociações de propostas com o PCP —, como é o caso da gratuitidade das creches para crianças de todos os escalões e rendimentos”, declarou ao PÚBLICO Manuel Alegre que não vislumbra que “esta vontade de ruptura através do OE beneficie as classes trabalhadoras e a classe média baixa”.

Afirmando concordar com as preocupações que o Presidente da República tem manifestado, Alegre diz que o PS não pode ter medo de ir a eleições, mas teme que neste momento esta não seja a melhor solução. “Em democracia há sempre soluções e uma das soluções passa pela realização de eleições, quando outras vias estiverem esgotadas”, sustentou.

Do seu ponto de vista, “a negociação de um OE não pode transformar-se numa mercearia orçamental porque isso degrada a própria democracia. Gostaria que pudesse voltar-se ao espírito de confiança de há anos atrás, mas parece-me muito difícil que tal seja possível”.

O ex-deputado do PS, que é também conselheiro de Estado (1) aproveitou para deixar reparos ao seu partido, dizendo que o PS deve de estar “atento ao seu eleitorado e aos portugueses, sobretudo, aos mais prejudicados pela crise económica e social que decorre da pandemia”. Segundo Alegre, no actual impasse político “há motivações diversas" e separa águas entre PCP e BE.

“O PCP está convencido de que tem sido prejudicado com aquilo a que se chamou ‘geringonça’, mas essa é uma análise superficial, porque o declínio eleitoral deve-se a um conjunto de factores múltiplos (…) por isso, não creio que esta ruptura com o PS vá resolver esses problemas do PCP”, defendeu. Relativamente ao BE, diz que “uma negociação orçamental não pode ser uma OPA ideológica de um partido sobre o outro”.

O conselheiro de Estado (1) discorda da forma como o seu partido se tem isolado e não resiste a deixar pistas. “O PS tem de saber ouvir dentro de si as vozes mais experientes e tem de saber repor, respeitar e fomentar o espírito crítico que faz parte da própria natureza do partido”. “O PS tem de saber ouvir muito além do núcleo restrito do Governo.” E foi mais longe: “Os partidos de uma maneira geral, incluindo o PS, têm estado muito voltados para dentro, muito fechados sobre si próprios e isso não é bom para a democracia”.

(1) Manuel Alegre cessou funções no Conselho de Estado em abril de 2016