Descobrir não é criar. Chegámos sempre ao que, antes de nós, já lá estava. Mas em cada chegada aconteceu uma dupla descoberta: a dos outros por nós e a de nós próprios pelos outros.
Manuel Alegre
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24-12-2011

Irmãos humanos tão desamparados
a luz que nos guiava já não guia
somos pessoas - dizeis - e não mercados
este por certo não é tempo de poesia
gostaria de vos dar outros recados
com pão e vinho e menos mais valia. Ler mais

06-12-2011

1.

Ítaca estava dentro: era uma luz um rosto um cheiro
a sombra em certas tardes na sala de jantar
ou o teu sorriso debaixo da ameixieira.
Um sítio. Um sítio sagrado algures no tempo.
Um sítio por dentro. Um obscuro ponto
no mapa luminoso
do coração.

Para sempre só teu
para sempre escondido.

Como Ulisses ninguém volta ao que perdeu
como Ulisses não serás reconhecido. Ler mais

23-06-2011

Irmãos humanos tão desamparados
a luz que nos guiava já não guia
somos pessoas - dizeis - e não mercados
este por certo não é tempo de poesia
gostaria de vos dar outros recados
com pão e vinho e menos mais valia. Ler mais

22-01-2011

Não ficarei sentado a ver a vida

os meus cavalos correm noutros campos

travam outras batalhas noutras páginas

não se resignam à erva do sossego

os meus cavalos buscam o insondável

ei-los que vão ainda à desfilada

ao toque de clarim à carga à carga

do outro lado da noite em outra escrita

Manuel Alegre, 1989 Ler mais

25-04-2010

É possível falar sem um nó na garganta
é possível amar sem que venham proibir
é possível correr sem que seja a fugir.
Se tens vontade de cantar não tenhas medo: canta. Ler mais

08-03-2010

Em Nambuangongo tu não viste nada
não viste nada nesse dia longo longo
a cabeça cortada
e a flor bombardeada
não tu não viste nada em Nambuangongo. Ler mais

Adriano Correia de Oliveira com António Portugal e Manuel Alegre
Adriano Correia de Oliveira com António Portugal e Manuel Alegre
08-03-2010

Eu canto para ti um mês de giestas
um mês de morte e crescimento ó meu amigo
como um cristal partindo-se plangente
no fundo da memória perturbada. Ler mais

Fotografia de Maria João Pavão
Fotografia de Maria João Pavão
25-12-2009

Neste solstício de Inverno ele vai nascer
algures no Mundo entre ruínas
no lugar do não ser ele vai ser
deitado nas palhinhas sobre as minas
em todos os meninos o menino
muçulmano judeu cristão
o mesmo coração e um só destino.

Manuel Alegre
Dia de Natal de 2009 Ler mais

*
24-12-2009

Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.
Era gente a correr pela música acima.
Uma onda uma festa. Palavras a saltar. Ler mais

06-04-2007

1.
Não sei de que cor são os navios
quando naufragam no meio dos teus braços
sei que há um corpo nunca encontrado algures no mar
e que esse corpo vivo é o teu corpo imaterial
a tua promessa nos mastros de todos os veleiros
a ilha perfumada das tuas pernas
o teu ventre de conchas e corais
a gruta onde me esperas
com teus lábios de espuma e de salsugem
os teus naufrágios
e a grande equação do vento e da viagem
onde o acaso floresce com seus espelhos
seus indícios de rosa e descoberta. Ler mais

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