"Corri riscos, estive com pessoas que pertencem à História. Tudo isso fez de mim aquilo que sou."
Manuel Alegre
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Manuel Alegre sobre Zeca Afonso, 30 anos após a sua morte
23-02-2017

Passaram trinta anos, para mim parece que foi ontem, mas há pelo menos duas gerações que nunca o viram nem ouviram cantar ao vivo. Não sabem dos seus tiques, das suas distracções, do seu inconfundível modo de cantar, uma das mãos a tapar o ouvido, a outra a segurar o microfone, ou então a dedilhar a viola e a cantar para aqueles que se juntavam para o ouvir.
Porquê a sedução e a magia de José Afonso? Talvez porque nele se tenham reunido a música e uma forma de despojamento parecida com uma santidade laica.
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11-09-2016

É triste perder um amigo como José Rodrigues, a quem devo as magníficas ilustrações para a edição especial dos 40 anos de Praça da Canção. E a quem todos devemos a sua obra renovadora de grande criador e de cidadão dedicado às causas da cultura e da cidadania. Fundador da Cooperativa Árvore e da Bienal de Vila Nova de Cerveira, ligou sempre a sua arte e a sua vida à luta pela liberdade.

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05-09-2016

Fui ontem despedir-me de Isabel Barreno, mulher livre e libertadora, não só por ter sido uma das três Marias das Cartas Portuguesas, mas sobretudo pelos seus romances, contos e ensaios, pela sua vida e pela sua obra. Apresentei um dos seus livros e tive a honra do seu apoio nas eleições presidenciais de 2006 e 2011. Bateu-se pela liberdade das mulheres e de todos nós.
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22-05-2016

Camões foi o lugar de encontro com Camilo Pessanha, Herberto Helder, Mário Cesariny e tantos outros, no programa “A Ronda da Noite”, de Luís Caetano, na antena 2, emitido em 18 de maio. "Devemos a Camões a fundação da língua", lembrou Manuel Alegre, cujo livro “Vinte Poemas para Camões” acaba de ser reeditado pelas Publicações Dom Quixote e estará disponível nas livrarias já esta semana. Ler mais

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04-03-2016

Não sei ao certo quando e onde conheci Lúcio Lara. Talvez nos tenhamos conhecido desde sempre, ou desde quando ele e alguns outros começaram a ser Angola antes, muito antes da Independência, e alguns outros e eu próprio a lutar pela liberdade do País de Abril muito antes de Abril acontecer. Encontrámo-nos na luta antifascista e anticolonialista. Homem de poucas falas e fortes convicções, como Agostinho Neto, ele costumava dizer que o Povo Português era o principal aliado do Povo Angolano na luta pela libertação. Havia nele uma integridade natural e uma coerência que quase tinham uma expressão física no seu corpo alto e magro e no seu rosto fechado, que escondia, sob aquela máscara aparentemente rígida, a timidez e a ternura da sua personalidade. Participou na construção do MPLA e em todos os combates decisivos pela fundação da República Popular de Angola. Sempre que o via eu via o MPLA na sua essência original. Foi o companheiro mais próximo do Presidente e meu saudoso amigo Agostinho Neto. Muitos viam nele o seu sucessor. Mas ele não quis. Era um homem despojado, que dedicou a sua vida à causa angolana e nada quis para si mesmo. Assim o lembro, de uma austeridade que quase intimidava. Guardo comigo o soluço que lhe ouvi a meio do seu discurso no funeral de Agostinho Neto. Era um soluço pelo seu Presidente, pelo seu Camarada, talvez por si próprio e por todos nós. Lúcio Lara, o duro, era um homem que tinha no seu coração de combatente todos os sonhos de uma geração.

Lisboa, 1 de março de 2016

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Humberto Delgado em Coimbra, Maio de 1958
Humberto Delgado em Coimbra, Maio de 1958
No 51º aniversário do seu assassinato
12-02-2016

No dia 13 de fevereiro, assinalam-se cinquenta e um anos sobre o assassinato bárbaro e cobarde de Humberto Delgado pela PIDE. Entretanto, o Governo acaba de decidir atribuir o nome de Humberto Delgado ao Aeroporto de Lisboa, não só pelo seu combate contra a ditadura, mas também pelo seu papel na criação da moderna aviação civil em Portugal. Foi Humberto Delgado quem presidiu à fundação da TAP, criando as primeiras linhas aéreas de ligação de Portugal ao mundo. Ler mais

22-07-2015

Durante a viagem presidencial de Mário Soares ao Chile, proporcionaram-nos um passeio pelo Estreito de Magalhães num barco de guerra. Estava um frio suportável e a certa altura Maria de Jesus começou a ler os poemas de Maremoto, um livro de Pablo Neruda consagrado às coisas do mar. Pediu-me para a acompanhar. Líamos em castelhano, primeiro quase em surdina. A pouco e pouco entusiasmámo-nos e subimos o tom. Líamos para nós próprios.
- Só ligam à política, disse ela, olhando de soslaio para Mário Soares e os jornalistas que o rodeavam. Mas às tantas começaram a ser contagiados pela beleza dos versos e pelo arrebatamento de Maria de Jesus. Até Mário Soares se aproximou. Ler mais

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08-07-2015

Era Paris, capital dos exílios, dos sonhos e das ilusões líricas. Eu tinha vindo de Argel com Piteira Santos para nos encontrarmos com Mário Soares. Terminada a deportação em São Tomé, tinha sido obrigado a partir para o exílio em Paris, depois de assistir em Lisboa ao funeral de seu pai. Dirigimo-nos ao Hotel Saint Pierre, onde ele estava de cama com gripe. E foi aí que conheci Maria Barroso. Sabia que, mesmo depois de ter sido compulsivamente afastada do teatro por declamar os poetas da resistência, ela continuava a ler os poemas proibidos, entre os quais os meus. Sabia da sua participação activa em todos os movimentos de oposição democrática, do seu combate ao lado de Mário Soares a quem se juntou em São Tomé, muitos anos depois de terem casado por procuração quando ele estava preso. Sabia da sua acção à frente do Colégio Moderno e do seu papel como baluarte da família. Mas sabia também que ela tinha uma voz própria, não era só a mulher de Mário Soares, era Maria Barroso, uma mulher autónoma, que pensava pela sua cabeça e estava sempre na primeira linha, umas vezes ao lado do marido, outras à frente, outras ainda em sua representação como aconteceu no Congresso republicano de Aveiro. Sabia da sua coragem para enfrentar a adversidade e assumir a liderança da família sempre que Mário Soares estava preso e mais tarde deportado. Ler mais

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Manuel Alegre recorda:
26-05-2015

Em 1965, a Sociedade Portuguesa de Escritores atribuía o seu Grande Prémio de Novelística a Luuanda, de Luandino Vieira, o que motivou o encerramento e extinção da SPE pela PIDE. Em cerimónia evocativa do cinquentenário dessa data, foi lida a seguinte saudação de Manuel Alegre, que conheceu Luandino quando ambos estavam presos na cadeia de S. Paulo, em Luanda:
Algumas coisas que devo a Luandino Vieira
1. O queijo sul-africano que ele, António Jacinto e António Cardoso dividiram ao meio para o partilhar comigo. Quando uma noite os agentes da PIDE me deixaram ir fazer o necessário, encontrei-o na minha cela. Não sabia a origem, desconfiei de tanta fartura, não lhe toquei. Foi um desperdício. Ler mais

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21-04-2015

José Mariano Gago teve uma visão para Portugal e abriu caminho para a cultura científica no tempo actul. Foi uma grande reformador e um grande português.
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Manuel Alegre sobre Herberto Helder
25-03-2015

Sempre que se pretendia fazer um documentário sobre ele, o Herberto telefonava aos amigos a pedir para não falarem. Não gostava de ruído nem espectáculo à sua volta. Foi assim em vida, e eu tenho a incómoda sensação de que aqui a pouco ele me vai pedir para não dizer nada sobre a sua morte. Ler mais

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12-12-2014

Recordo com muita saudade Fernando Machado Soares, um dos grandes compositores e cantores de Coimbra. Com José Afonso, António Portugal, Goes e outros ajudou a dar a volta ao fado e à vida.
Fica connosco a sua voz a lembrar que há sempre encanto, mesmo na hora da despedida.
Até sempre, amigo.
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13-11-2014

Fernando de Mascarenhas, de quem fui amigo, foi um verdadeiro aristocrata, não só pelo sangue e pelos títulos, mas pelo espírito, um aristocrata de comportamento, da cultura e da democracia. Criou uma Fundação e colocou o património da família ao serviço das artes, da literatura e da língua portuguesa. Presto uma comovida e sentida homenagem.
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Foto de Rui Ochoa - 1987
Foto de Rui Ochoa - 1987
1919 - 2004
Um retrato escrito por Manuel Alegre
01-07-2014

Sophia é, por certo, um dos poetas que mais perto está da pulsação inicial e mágica da palavra. E por isso a sua poesia, como toda a verdadeira e grande poesia, pode ser dita, cantada e até dançada.

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Manuel Alegre com a mãe, em Tipasá, na Argélia
Manuel Alegre com a mãe, em Tipasá, na Argélia
12-05-2014

«Nasci em Maio, o mês das rosas, diz-se. Talvez por isso eu fiz da rosa a minha flor, um símbolo, uma espécie de bandeira para mim mesmo.
E todos os anos, quando chegava o mês de Maio, ou mais exactamente, no dia doze de Maio, às dez e um quarto da manhã (que foi a hora em que nasci), a minha mãe abria a porta do meu quarto, acordava-me com um beijo e colocava numa jarra um ramo de rosas vermelhas, sem palavras. Só as suas mãos, compondo as rosas, oficiavam nesse estranho silêncio cheio de ritos e ternura.»
Manuel Alegre, em Praça da Canção (1965) Ler mais

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Manuel Alegre sobre Natália Correia
13-09-2013

Natália Correia era um poeta. Quero dizer: era diferente dos outros. "Uma máquina de passar vidro colorido", como disse Mário Cesariny de Vasconcelos e ela por certo teria gostado. "Hierática cromática socrática", "uma vestal iluminada" ou "uma deusa rangendo", como a cantou José Carlos Ary dos Santos no retrato que dela fez com versos e metáforas. Creio, aliás, que ela era a grande metáfora de si mesma. Ler mais

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09-08-2013

Um grande amigo, grande camarada, um escritor que marcou o século XX; um grande prosador que sempre tomou partido e não se fechou nunca numa torre de marfim e que combateu pela liberdade, pela acção e pela palavra.

Falou do amor e do erotismo sem tabus nem preconceitos, foi nesse aspecto um inovador.

Sempre atento às novas gerações de escritores, não esqueço que foi ele o autor do primeiro texto publicado sobre o meu livro Praça da Canção, que saiu no jornal República, em pleno fascismo.

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19-09-2012

Foi hoje sepultado em Coimbra o meu querido amigo Luís Goes,o primeiro que musicou, cantou e gravou versos meus. Cantou o amor e a liberdade e a sua voz ficará para sempre como uma das mais belas e emblemáticas da canção de Coimbra.
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28-04-2012

Lembro-me de meu avô Mário Duarte a fazer-me uma festa na cara e a enxugar uma lágrima, gesto que vi depois meu pai repetir e que, segundo dizem, também eu faço. Estou a vê-lo num barco a motor, na Costa Nova, de pé, a acenar. Foi a última vez que o vi. Guardo esse aceno como um adeus. Eu não tinha ainda quatro anos, mas conservo, muito nítidas, estas duas imagens. Ler mais