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Manuel Alegre
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Manuel Alegre à Visão:
“A função da poesia é libertar a linguagem”
28-04-2012 Visão

“A função da poesia é libertar a linguagem”, disse Manuel Alegre em entrevista à Visão, conduzida por Pedro Dias de Almeida, a propósito do seu novo livro “Nada está escrito”, que, confessa o poeta, pode ser lido como um “manifesto poético”, num tempo em que “a indigência está por todo o lado” e em que “a economia e as finanças envolveram os discursos, com uma contaminação, degradação e pobreza da linguagem”. “Só se ouvem números, números…” lamenta Manuel Alegre. “A função da poesia é libertar a linguagem, desocupá-la”, adianta, acrescentando: “Às vezes apetece-me começar a dizer poemas às pessoas. «A poesia é para comer», como dizia a Natália (Correia)”.

Numa conversa sobre poesia mas também sobre a “depressão colectiva” do país, Manuel Alegre afirma que “talvez a poesia seja uma forma de dar uma expressão” a movimentos de “gente que está aflita” mas não tem hoje um horizonte. “Criou-se uma hegemonia cultural e ideológica de direita”, denuncia, para fazer crer às pessoas que “tudo está escrito”. Por isso incita ao combate ideológico, reconhecendo que "hoje, por toda a Europa, é muito difícil o diálogo entre as várias esquerdas, mas é mais difícil ainda mudar este estado de coisas sem que esse diálogo aconteça". Defende por isso o debate entre o PS, o PCP e o Bloco, recordando: “Eu tentei e vou continuar a tentar”. A propósito do memorando com a troika, sempre invocado para justificar a austeridade imposta, Manuel Alegre considera que “este governo vai muito além do memorando, tem uma agenda ideológica clara, liberal”. “É preciso dizer que o memorando não é um texto sagrado”, afirma, concluindo: “Eu sou um homem livre (…). Tenho dificuldade em compreender a disciplina pela disciplina, talvez por ser poeta, também.”

Leia a entrevista apensa em baixo

Documentos
Documento em formato application/pdf Entrevista de Manuel Alegre à Visão, edição de 26.4.2012330 Kb