"Nada está adquirido, tudo está a andar para trás muito depressa"
Manuel Alegre
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Santo António destes dias
13-06-2012

Manuel Alegre pede a Santo António um novo sermão, no dia em que passam 781 anos sobre a morte em Pádua do frade franciscano nascido em Lisboa.

Em quadra publicada no DN, Manuel Alegre escreve:

"Dar-te-ei um manjerico
Se tu me deres o sermão
Em que pregas contra o rico
Pelo pobre teu irmão."

Para lá da tradição popular, vale a pena recordar quem foi o santo preferido dos lisboetas. Fernando de Bulhões, nome original de Santo António, foi uma grande figura intelectual do seu tempo. Estudou primeiro em Lisboa e depois em Coimbra, tendo integrado o Capítulo Geral da Ordem de Assis, a convite do próprio Francisco, o fundador.

Doutor da Igreja e canonizado pouco depois da morte, Santo António destacou-se na Europa da época como grande pregador e taumaturgo. Muitas descrições da altura referem o fascínio que a sua fala exercia sobre as multidões de pessoas simples e também sobre os clérigos doutos. Sobreviveram 77 sermões, onde surge uma aguda crítica social na condenação da avareza, da usura, da inveja, do egoísmo, da falta de ética na administração pública, dos falsos moralistas e hipócritas, dos maus pastores de almas, do orgulho dos eruditos, dos ricos ensimesmados na sua opulência que oprimem e excluem os pobres do tecido social.

Séculos mais tarde, em 1645, o Padre António Vieira proferiu na cidade de São Luís do Maranhão o seu famoso “Sermão de Santo António aos Peixes”, na sequência de uma disputa com os colonos portugueses no Brasil. Este sermão foi pregado três dias antes de António Vieira embarcar às escondidas para Portugal, para obter uma legislação justa para os índios.

Santo António foi contemporâneo em Lisboa de Pedro Hispano, médico, professor e matemático, outra figura notável do primeiro século da nacionalidade portuguesa, que veio mais tarde a ser eleito Papa, com o nome de João XXI. Dante Alighieri, na sua "Divina Comédia", coloca no Paraíso a alma de João XXI, falecido em 1277.