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Manuel Alegre
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Homenagem ao Alentejo
27-11-2014

Página

Planície como página
este é o chão que procurava
silêncio feito asa
quase pão quase palavra.
Para ser canto
para ser casa.

Utopia

Na brancura da cal o traço azul
Alentejo é a última utopia.

Todas as aves partem para o sul
todas as aves: como a poesia.

Poemas de Manuel Alegre, em "Alentejo e Ninguém", 1996

Gramática de coentro e cal

Gramática de coentro e cal
geometria do branco e do verão
solidão como sinal
quase cigarra quase pão
em seu falar como um cantar de amigo.

Aqui acaba o último e o primeiro
e o um procura o outro seu igual
para dizer um nome entre azinheira e trigo.

Este é o chão mais puro e verdadeiro.

E as sombras sentam-se comigo
à sombra de um sobreiro.

Poema de Manuel Alegre, em "Alentejo e Ninguém", 1996, musicado e cantado por Vitorino com o título “Do outro lado do Tejo”, no disco de poemas de Manuel Alegre interpretados por diversos autores intitulado "Coração que nasceu livre - uma colectânea de canções", 2004