Descobrir não é criar. Chegámos sempre ao que, antes de nós, já lá estava. Mas em cada chegada aconteceu uma dupla descoberta: a dos outros por nós e a de nós próprios pelos outros.
Manuel Alegre
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Capa de "Carta Aberta a Salazar"
Capa de "Carta Aberta a Salazar"
Galvão, o "Capitão dos Impossíveis"
Galvão, o "Capitão dos Impossíveis"
Manuel Alegre e Camilo Mortágua
Manuel Alegre e Camilo Mortágua
Manuel Alegre sobre Henrique Galvão:
Um herói solitário e absolutamente incorruptível
23-02-2010

"Retrato de Salazar e auto-retrato de Henrique Galvão" foi como Manuel Alegre apresentou esta tarde, na Biblioteca Museu da República e Resistência, a edição de Carta Aberta a Salazar de Henrique Galvão, uma iniciativa de Camilo Mortágua, um dos companheiros de Galvão no assalto ao Santa Maria em Janeiro de 1961. Alegre sublinhou o carácter "insubmisso, irredutível e absolutamente incorruptível" de Henrique Galvão, um "herói solitário" cuja Carta Aberta a Salazar é também "uma lição, mesmo para os tempos de hoje, sobre a ética da coisa pública".
Oiça a intervenção de Manuel Alegre no final da notícia.

O poeta começou por recordar que deve a Henrique Galvão a "descoberta de Manuel Bandeira, que ele prefaciou e publicou em 1956 na editorial Minerva". Alegre confessou que deve também a Galvão "um livro, o Kurika, Romance dos Filhos do Mato , que viria a dar o nome a um cão sobre o qual escrevi um livro que é o mais editado e traduzido da minha obra". "E devo-lhe", confessou ainda, "a lição da sua vida e desse acto que internacionalizou o problema português".

Manuel Alegre realçou a qualidade da prosa de Carta Aberta a Salazar : "uma prosa única, contra o Vossa Excelência, contra a hipocrisia, contra o excesso de subtileza, sem nunca cair numa linguagem rasteira". "Lição de coragem" de um homem que, segundo Alegre, "sozinho derrotou e desmistificou a pretensa omnipotência do regime de Salazar". "Figura romântica única de Portugal e do século XX", Galvão é para Manuel Alegre um herói que merecia ser retratado em filme e colocado, como Humberto Delgado o foi, no Panteão Nacional.

O poeta apontou o facto de Carta Aberta a Salazar ser também "um acto de contrição e arrependimento muito autêntico", citando as palavras do capitão Galvão: "Desertei das fileiras do Estado Novo pobre e de mãos limpas como lá entrei". A Carta Aberta a Salazar é uma denúncia dos pecados do regime e do seu ditador, a quem Galvão, citando Sérgio, lança o dedo acusador: "Foste o pedreiro das pedras mortas".

O livro é completado pelo Cântico do país emerso , de Natália Correia, escrito em 1961 "de um jacto pelos esconderijos de raivosas guitarras da pátria agrilhoada", em homenagem a Galvão, "Capitão dos Impossíveis", que quis a restauração da "terra transportuguesa de longo curso".

As três primeiras edições de "Carta Aberta a Salazar", de 1959, foram apreendidas pela PIDE quase à saída da máquina. Uma nova edição surgiu na Venezuela, em 1960, e entrou clandestinamente em Portugal – também desta, poucos foram os exemplares que escaparam às garras da polícia política. Quarenta anos depois, o livro volta a ver a luz do dia em edição da Esfera do Caos.

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Documento em formato application/octet-stream Manuel Alegre apresenta "Carta Aberta a Salazar" de Henrique Galvão6683 Kb