"Não gosto de engenharias sociais ou artificiais messiânicas"
Manuel Alegre
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Manuel Alegre com Daniel Sampaio, mandatário por Lisboa
Manuel Alegre com Daniel Sampaio, mandatário por Lisboa
Manuel Alegre na inauguração da sede nacional em Lisboa:
"Desta vez é possível"
13-10-2010

Inauguramos hoje a Sede Nacional para que seja um espaço de mobilização e cidadania, porque foi da cidadania que esta candidatura nasceu e é para os cidadãos que ela existe. Há cinco anos, na noite em que foram anunciados os resultados, havia nesta sede jovens a chorar pelos 30.000 votos que faltavam para a 2ª volta. Na próxima noite eleitoral não quero ver ninguém a chorar, quero ver festa e alegria pela passagem à 2ª volta. Porque desta vez é possível. Em todas as sondagens, com números diferentes, a tendência é a mesma: Cavaco a descer, nós a subir.

E na sondagem da Aximage hoje publicada no Correio da Manhã, Cavaco desce mais três pontos e nós subimos para os 35,7%. Aumenta a minha responsabilidade e a de todos nós. Esta candidatura tem de ser uma candidatura de inclusão. Uma candidatura para unir, somar e crescer. Se nos unirmos, se nos mobilizarmos, se acreditarmos, a vitória é possível.

O Presidente da República marcou a data das eleições para 23 de Janeiro. A partir de agora, embora não tenha ainda formalizado a sua candidatura, deveria abster-se de continuar a fazer campanha eleitoral como Presidente da República. Por uma questão de transparência e de igualdade em relação aos outros candidatos.

Quem vota em mim vota num candidato que tem uma visão do mundo: liberdade, solidariedade, justiça social.

Vota em alguém que é independente e tendo, embora, uma filiação partidária, sempre soube afirmar essa independência, mesmo em relação ao seu próprio partido.

Quem vota em mim vota em alguém que tem uma cultura humanista e um pensamento livre, alguém que sabe que este país é muito antigo e nunca será um país insustentável, um país em que, como escreveu o poeta Rui Belo, “…O puro pássaro é possível”. E o puro pássaro é o futuro, o direito à esperança e ao sonho de um país mais justo e solidário.

Quem vota em mim vota em alguém que tem uma visão de modernidade, aberta aos novos direitos e à supressão de todas as formas de discriminação com base na raça, na condição económica e social, no género e na orientação sexual.

Alguém que sabe que a palavra é uma força de inspiração dos povos e que é a palavra, não a gestão dos silêncios, que deve ser a principal arma de um Presidente da República.

Quem vota em mim vota em alguém que não aceita a subversão do projecto europeu por uma lógica neo liberal e monetarista, e muito menos a sujeição do nosso país à ditadura dos mercados financeiros, essa nova potência sem rosto que procura estrangular algumas das mais velhas nações da Europa.

Quem vota em mim vota em alguém que não se candidata para governar mas para ser Presidente da República, cuja função primordial é a de ser o moderador, o árbitro e o garante do Estado Democrático. Não apenas das liberdades formais, mas dos direitos sociais e dos serviços públicos necessários ao povo e ao país.

Quem me conhece sabe quais são os meus valores e sabe que comigo na Presidência da República nenhum governo porá em causa o Serviço Nacional de Saúde, a Escola Pública, a Segurança Social e o conceito de justa causa.

Quem me conhece sabe que sou um homem de diálogo, de tolerância e de fraternidade, mas sabe também que saberei ser firme na defesa das liberdades, do Estado de Direito, e da justiça social. Como o saudoso Presidente Sandro Pertini, também eu penso que “…sem liberdade não há justiça social, mas sem justiça social não há liberdade”.

Defendo o equilíbrio e a separação de poderes. Mas ninguém conte comigo para que o poder económico se sobreponha ao poder político democrático e para que pressões alheias coloquem em risco a soberania nacional.

Há uma ética pública que tem de ser defendida e praticada. E há uma ideia de Pátria que não pode ser dissolvida e a que é preciso dar um sentido de modernidade e de futuro.

Sei que o país atravessa uma grave crise. Não só financeira, social e política, mas também de confiança. Não sou procurador de ninguém e não vou dizer o que devem fazer aqueles que têm a responsabilidade democrática de intervir e decidir.

Este é um momento que exige sentido de Estado e de responsabilidade nacional. Mas também e, sobretudo, sensibilidade social e um sentido apurado de solidariedade e de justiça. Um daqueles momentos em que se exige que os responsáveis políticos sejam capazes de pensar menos em si próprios e mais no país e nas pessoas.

Este é também o momento de criar uma dinâmica social e política capaz de despertar as energias necessárias para uma nova esperança para Portugal.