"Não gosto de engenharias sociais ou artificiais messiânicas"
Manuel Alegre
InícioManuel AlegreNotíciasAgendaOpiniãoPresidenciais 2011LinksPesquisa
YouTube Twitter FaceBook Flickr RSS Feeds
> Discurso Directo
> Discurso Indirecto
*
Manuel Alegre no Funchal garante:
“Comigo na Presidência haverá respeito pela democracia em todo o território nacional”
26-10-2010

A partir de hoje, Cavaco Silva passará a ser, “em termos legais”, “um candidato como os outros”, afirmou Manuel Alegre esta tarde na inauguração da sua sede de candidatura no Funchal. “Não há novidade na sua recandidatura, nem no seu discurso”, acrescentou, explicando que “os seus apoios são praticamente os mesmos de há 5 anos, a principal diferença é que desta vez eu tenho mais apoios, porque tenho, não só aqueles que estiveram comigo há 5 anos, como desta vez o meu partido, o PS, o BE e muitos outros”. Manuel Alegre frisou também as diferenças que o separam de Cavaco Silva na concepção de democracia, uma “vivência de todos os dias”, garantindo que, se for eleito, “quando vier à Madeira será na Assembleia Regional que receberei os partidos políticos”. “Comigo na Presidência”, voltou a garantir Manuel Alegre, “haverá liberdade e respeito pela democracia em todo o território nacional.”

Manuel Alegre falava antes do anúncio oficial de Cavaco Silva, mas não deixou de acentuar que “Cavaco Silva é ou será o candidato da direita, o candidato do PSD e do CDS, apoiado não só pela direita política como pela direita económica e, chamemos as coisas pelo seu nome, pelo grande capital”. “A minha candidatura, sublinhou, “é uma candidatura da esquerda democrática, apoiada por cidadãos, por movimentos cívicos, pelo PS e pelo BE.”

“Diz-se que o PR tem a vantagem de já ser Presidente e se recandidatar”, disse Manuel Alegre, “mas também tem uma desvantagem”, explicou, “porque há 5 anos criou nos portugueses a ilusão de que pelo facto de ser um economista iria resolver os problemas do país”. Para o candidato, Cavaco Silva “enganou-se na interpretação teórica das funções presidenciais, e também na maneira como exerceu os mais simples poderes presidenciais”, referindo: “quando promulga uma lei e a seguir vem desvalorizá-la, quando em relação a certas leis que era natural que vetasse não o fez.”

“Impressionou-me muito, na entrevista ao Expresso” publicada no passado sábado, disse em seguida Manuel Alegre, “que o PR tenha dito que não serve de nada atacar os banqueiros e o FMI porque eles não nos ligam nada e somos nós que temos de lhes pedir dinheiro”. “Eu não sei se eles nos ligam ou não”, contrapôs, “sei é que um PR não pode dizer isso”. “Sei é que um PR, como representante máximo da Nação”, acrescentou, “tem de saber bater o pé àqueles que de fora procuram ditar as leis e fazer imposições ao nosso país.”

“Mas se calhar não é por acaso que o PR diz isso”, comentou o candidato. “Se calhar ele está de acordo com a concepção económica neo-liberal que preside e está subjacente a esses juízos”. E “é preciso firmeza em relação àqueles que se julgam donos do país”, insistiu Manuel Alegre, frisando que “há muitos economistas que discordam desta política de austeridade que está a ser imposta aos povos europeus e aos países mais frágeis”. “O que eles dizem, esclareceu, é que é preciso um novo tipo de desenvolvimento, um novo paradigma de crescimento económico e coesão social.”

“É hora de repensar muita coisa”, da economia à política, afirmou o orador. “É hora de ter na Presidência alguém que saiba assumir Portugal, a sua História, porque só conhecendo o passado e assumindo a História é que se pode olhar doutra maneira para o futuro.” “Já dobrámos muitos cabos das tormentas, muitas dificuldades”, lembrou. “Mas as pessoas precisam que se dê um sentido às dificuldades que estão a atravessar e um horizonte aos sacrifícios que lhes são pedidos”, defendeu, concluindo que “os povos precisam de esperança. Não se pode dizer a um povo agora há recessão, para o ano há se calhar há mais.”
Dirigindo-se no final aos madeirenses, Alegre garantiu: “Comigo na Presidência, não haverá complacência em relação à violação das regras democráticas, nem no continente, nem em nenhuma das regiões autónomas”, no que foi aplaudido com entusiasmo pelos presentes que enchiam a sede. “Não haverá complacência com qualquer desrespeito pelo debate democrático em qualquer Parlamento, seja ele o Parlamento nacional, seja ele um Parlamento Regional, seja no que diz respeito aos direitos da oposição, seja no direito à fiscalização e à acção legislativa que são próprias de qualquer parlamento democrático”, explicitou.

“A democracia não se esgota no acto eleitoral. É uma vivência de todos os dias” disse ainda o candidato, que acrescentou: “Isso vale para os direitos da oposição, para a liberdade de expressão, para o direito de poder responder e de haver nos jornais pluralismo político e ideológico. A ausência disso não é democracia.” “Comigo na Presidência”, voltou a garantir Manuel Alegre, “haverá liberdade e respeito pela democracia em todo o território nacional.”