"Corri riscos, estive com pessoas que pertencem à História. Tudo isso fez de mim aquilo que sou."
Manuel Alegre
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Manuel Alegre na Ilha Terceira:
Não é este o caminho, temos que mudar de paradigma
04-12-2010

"Portugal está ameaçado e a qualidade da democracia está a ser posta em causa por uma nova ditadura, a ditadura dos mercados financeiros" alertou Manuel Alegre no jantar de apoiantes na Ilha Terceira. "Este é um dos momentos mais críticos da história contemporânea de Portugal e da Europa" mas também por isso, afirmou, "a minha candidatura é mais necessária do que nunca". "Não é este o caminho", insistiu, "porque a austeridade leva à recessão" e do que nós precisamos é "de um novo paradigma", "de crescimento económico, de coesão social e de políticas de emprego". "Temos que dizer àqueles que estão a desconstruir a Europa à custa dos povos, das classes trabalhadoras e dos mais desprotegidos que queremos um novo olhar, nosso, sobre a Europa e sobre o mundo".
Oiça a intervenção de Manuel Alegre na íntegra no fim da notícia

Depois de ter denunciado a intenção de desvalorizar a eleição presidencial, convencendo as pessoas de que "não vale a pena fazer campanha" por Cavaco Silva já estar eleito, Manuel Alegre afirmou: "Eu sou um resistente, bati-me toda a vida pela democracia, não vou baixar os braços, não estou aqui para cumprir calendário, estou aqui pela vitória".

"Precisamos de um Presidente da República que seja um moderador social, um garante das liberdades e da imparcialidade política, disse Manuel Alegre, "não um Presidente que acrescente problemas ao funcionamento do sistema, ou que invente conflitos" como foi o caso do estatuto político dos Açores. E acrescentou: "Não precisamos de um Presidente da República com uma interpretação errada dos poderes presidenciais, que fala de uma cooperação estratégica, quando a Constituição fala de cooperação institucional. A cooperação estratégica subentende a partilha das definições da linha de um governo, mas não houve cooperação estratégica com o governo, o que houve foi uma coincidência estratégica com forças da oposição que falavam da asfixia democrática, enquanto o Presidente fazia essa coisa misteriosa nunca revelada das escutas em Belém."

Cavaco Silva, na apresentação da sua candidatura, lembrou Manuel Alegre, disse "que era preciso discutir sem preconceitos ideológicos a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde, da segurança social e outros serviços públicos". Com isso, considera Manuel Alegre, "ele estava a fazer uma afirmação ideológica, ele estava a tomar partido, estava a abrir um caminho perigoso para a nossa democracia". Porque "foi apresentado um projecto de revisão constitucional", lembrou o candidato, "que é um projecto estratégico de destruição do conteúdo social da nossa democracia" e é isso que está em causa em 23 de Janeiro.

"Eu não me candidato para favorecer este ou aquele partido, sou um homem livre", disse Manuel Alegre. "Comigo na Presidência ninguém porá em causa o SNS, a escola pública, a segurança social, os direitos dos trabalhadores - e esse é o meu compromisso"

"Portugal está ameaçado e a qualidade da democracia está a ser posta em causa por uma nova ditadura, a ditadura dos mercados financeiros" alertou Manuel Alegre, defendendo uma nova visão estratégica para a Europa e para Portugal. "Portugal tem de fazer ouvir a sua voz", sustentou, face às pressões especulativas e ao novo eixo Paris-Berlim. "Não devemos ter complexos de inferioridade ou de “bons alunos da Europa. Este é um dos momentos mais críticos da história contemporânea, da Europa e de Portugal, (…) Portugal precisa de ter na Presidência da República alguém capaz de ter uma visão estratégica e de falar com os grandes da Europa de igual para igual.” E acrescentou: "Portugal já teve chefes de Estado capazes de falar com os grandes da Europa e fazer ouvir a sua voz, como Mário Soares e Jorge Sampaio.

O candidato relembrou as suas críticas recentes durante a sua visita a França, dirigidas a Sarkozy e Angela Merkel, reafirmando que o papel de um Presidente da República não pode ser o de dizer que os mercados "não nos ligam nenhuma", como o actual presidente o fez. "Em França critiquei o presidente Sarkozy por se aliar a Merkel e desvirtuar o projecto europeu, que é um problema político” e não económico. Para Manuel Alegre, Portugal e os dirigentes políticos portugueses e europeus não devem ficar calados perante o capitalismo financeiro desregulado, a desconstrução europeia e o rasgar do Tratado de Lisboa. "A Irlanda já cortou tudo o que tinha para cortar e os juros da dívida continuam a subir", lembrou. "A Europa precisa é de crescimento, coesão social e políticas de emprego", insistiu.

"Temos que mudar de paradigma, disse ainda Manuel Alegre, explicando que "o problema da competitividade não se resolve liberalizando os despedimentos", mas sim com inovação tecnológica, inovação social e "uma nova cultura de empresa" com responsabilidade social.

Manuel Alegre reafirmou a sua convicção na importância da autonomia "que reforça a especificidade das regiões autónomas", e que contribui para reforçar "a portugalidade e a identidade nacional portuguesa".

Para Manuel Alegre, Portugal precisa de um Presidente da República que tenha uma interpretação correcta do exercício da função presidencial, “que não esvazie a função presidencial, que não é a de governar, mas assegurar a representação nacional, a de inspirar os portugueses, a de promover os grandes debates, a de ajudar a definir uma nova visão estratégica para o nosso país.”

Manuel Alegre dirigiu um apelo final à juventude. "Estou-me a bater pela nossa juventude", que "tem que ter um lugar ao sol no nosso país" e "peço à juventude que venha bater-se comigo". "Um poeta é capaz de ver o invisível", disse ainda Manuel Alegre, invocando Miguel Torga. "É preciso dar um sentido ao sem sentido do dia-a-dia", "é preciso voltar a dar uma esperança às pessoas", disse Manuel Alegre. "Uma pátria que não dá futuro aos seus jovens é uma pátria ameaçada", concluiu, desafiando todos a uma grande mobilização para conseguir a segunda volta e garantir o futuro da democracia.

Áudio
Parte 1 - "A democracia está a ser posta em causa por uma nova ditadura"
Parte 2 - "Comigo na Presidência ninguém porá em causa os direitos sociais"
Parte 3 - "Não é este o caminho, temos que mudar de paradigma"
Parte 4 - "Uma pátria que não dá futuro aos seus jovens é uma pátria ameaçada"