Descobrir não é criar. Chegámos sempre ao que, antes de nós, já lá estava. Mas em cada chegada aconteceu uma dupla descoberta: a dos outros por nós e a de nós próprios pelos outros.
Manuel Alegre
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Manuel Alegre em frente-a-frente com Cavaco Silva na RTP:
“É preciso ter esperança, mas a esperança cria-se"
29-12-2010

“É preciso ter esperança, mas a esperança cria-se”, afirmou Manuel Alegre no final do debate televisivo com Cavaco Silva, um debate marcado pelo contraste entre a agressividade crispada de Cavaco Silva e as respostas serenas de Manuel Alegre, delimitando com muita clareza as diferenças entre as duas candidaturas. Alegre fez questão de recordar que “o combate à crise é um combate político” e que tem “uma visão mais aberta” acerca de leis que “representaram progressos civilizacionais”, como a lei da IVG, da paridade, do divórcio e da procriação medicamente assistida. Para Manuel Alegre o que está em causa nas eleições é a agenda política das “forças conservadoras apoiadas pelos grandes interesses” “no sentido de esvaziar o conteúdo social da Constituição que vai ser jurada pelo próximo Presidente” e por isso apelou à resistência contra a abstenção.
Veja o debate no site da RTP AQUI

Nos vários temas abordados, desde a política externa à defesa do Estado social, Manuel Alegre vincou bem as posições que tem defendido, reclamando para o Presidente da República um papel mais activo, para “criar uma nova energia e um novo modelo de desenvolvimento” e para ser “um mediador político e social”. Em resposta aos ataques de Cavaco Silva, que o acusou de “enganar os portugueses”, Alegre contrapôs que Cavaco Silva “convive mal com a crítica” e confunde divergências políticas com insultos.

Como prioridade nacional do seu mandato, Manuel Alegre destacou o tema da justiça, propondo lançar a partir de Belém uns “Estados Gerais da Justiça” que acabem com lógicas corporativas e juntem toda a gente numa “reflexão profunda” sobre a morosidade da justiça, que considerou um dos mais graves problemas nacionais.

Questionado por Judite de Sousa sobre o caso do BPN, Alegre sublinhou que é um “problema político que resulta da promiscuidade entre a política e os negócios”, em que estão envolvidas pessoas que foram apoiantes de Cavaco Silva. Este limitou-se a lamentar “a campanha de insinuações” de que está a ser alvo, remetendo para a declaração de rendimentos que entregou no Tribunal Constitucional, ao que Alegre reagiu afirmando que não tinha feito nenhuma insinuação, mas sim citado factos.

Sobre a eventualidade de uma dissolução da AR após as presidenciais, Manuel Alegre reafirmou com clareza que não se candidata “para fazer ou desfazer governos”, nem para a apoiar o actual governo e que essa é uma decisão que um Presidente só pode tomar perante circunstâncias muito graves e que não pode ser antecipada.