Descobrir não é criar. Chegámos sempre ao que, antes de nós, já lá estava. Mas em cada chegada aconteceu uma dupla descoberta: a dos outros por nós e a de nós próprios pelos outros.
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Imagem da revolta de 31 de Janeiro de 1891 no Porto
Imagem da revolta de 31 de Janeiro de 1891 no Porto
Manuel Alegre sobre o 31 de Janeiro no Porto:
"Faltam homens de Estado aqui e na Europa"
31-01-2013

“Faltam revolucionários como os do 31 de Janeiro”, escreveu Manuel Alegre em mensagem enviada ao MIC Porto que promoveu a comemoração dessa data histórica com um jantar no Orfeão, "faltam homens de Estado, aqui e na Europa, com uma outra visão e coragem para enfrentar os mercados e relançar o projecto europeu como um projecto de prosperidade entre Estados iguais e soberanos.”

Para Manuel Alegre, o “espírito pioneiro” do 31 de Janeiro “é uma inspiração nestes tempos em que troika, relatório do FMI e servilismo do governo impõem aos portugueses um humilhação semelhante à do ultimato.” O ex-candidato presidencial recorda que “infelizmente, muito do que anunciei numa comemoração desta data, há uns três anos, no Porto, está a acontecer: uma maioria absoluta de direita, a destruição do Estado Social, um Presidente que, embora com suaves divergências, não tem impedido a concretização de um programa ultraliberal que está a pôr em causa, não só os direitos sociais e os Serviços Públicos, como o próprio Estado de Direito.” A tudo isto, acrescenta a mensagem, “soma-se uma oposição dividida e sem um projecto nacional capaz de dar um sentido ao descontentamento fragmentado e de mobilizar os portugueses.”

Alegre terminou a mensagem, que foi lida no jantar do MIC Porto, com um apelo, pois “cá estamos, não só para comemorar, mas para resistir e procurar novos caminhos”, lembrando que muitas pessoas têm escrito para o site do MIC, Movimento de Intervenção e Cidadania lançado na sequência da sua candidatura presidencial de 2006, com "vontade de reactivar o movimento". “Talvez seja uma boa ideia, agora com outros objectivos”, concluiu.

A revolta do 31 de Janeiro de 1891 foi a primeira tentativa de implantação do regime republicano em Portugal. A revolta teve lugar na cidade do Porto, através de um levantamento militar contra as cedências do Governo (e da Coroa) ao Ultimatum inglês por causa do Mapa Cor-de-Rosa, que pretendia ligar, por terra, Angola a Moçambique. Terão sido mortos 12 revoltosos e 40 ficaram feridos. A reacção oficial foi implacável, os revoltosos foram julgados por Conselhos de Guerra, tendo sido condenadas a penas entre 18 meses e 15 anos de prisão mais de 200 pessoas. Por isso Manuel Alegre não quis deixar de homenagear os revoltosos, proclamando, como o velho republicano Mem Verdial: “Glória aos vencidos”.