Descobrir não é criar. Chegámos sempre ao que, antes de nós, já lá estava. Mas em cada chegada aconteceu uma dupla descoberta: a dos outros por nós e a de nós próprios pelos outros.
Manuel Alegre
InícioManuel AlegreNotíciasAgendaOpiniãoPresidenciais 2011LinksPesquisa
YouTube Twitter FaceBook Flickr RSS Feeds
> Discurso Directo
> Discurso Indirecto
*
Manuel Alegre ao DN, sobre a reconciliação com Mário Soares:
“A doença dele ajudou-nos a perceber que somos amigos”
12-02-2013 entrevista de João Pedro Henriques, DN

Foi noticiado que teria havido uma reconciliação entre si e o Dr. Soares, ao telefone, por iniciativa de António José Seguro. Houve de facto uma reconciliação?
Não houve nenhuma cerimónia especial. Soube que o estado de Mário Soares era grave e fiquei preocupado. Telefonei à Maria de Jesus (mulher de Mário Soares) e ao João Soares (filho de Mário Soares). Manifestei-lhes a minha preocupação. Entretanto fui sabendo do estado de saúde de Mário Soares que era realmente grave.
Mas acha que aquilo que os dividiu está resolvido?
Na sexta-feira o António José Seguro disse-me: “Tenho aqui uma surpresa para si.” E começámos a falar como dois velhos amigos. Fiquei contente por senti-lo em franca recuperação. Deitámos as circunstâncias para trás. Vamos almoçar um dia destes. A doença dele ajudou-nos a perceber que somos amigos.

Este reencontro tem importância política ou á algo mais do que isso.
Politicamente temos dito coisas parecidas. Mas tem importância afectiva, claro. Ainda há pouco fui à rua e várias pessoas me disseram que se sentem reconfortadas. Tenho tido muitos sinais nesse sentido. Muitos socialistas sentem-se contentes – a começar pelo António José Seguro. Isto tem a importância de não haver nem uma fractura afectiva nem uma fractura histórica.

E reforça a luta do PS contra o Governo?
Alguns até esperam coisas do tipo “agora é que vai ser”. Espero que estejamos juntos. E estaremos juntos com certeza do mesmo lado da barricada. Este facto devia servir de exemplo para a esquerda em geral, para as pessoas que acreditam naqueles valores da tolerância, da solidariedade e da camaradagem. Se dissermos a mesma coisa em conjunto, o PS terá mais força.

Sente que houve um uso ilícito desta reconciliação, no contexto das divisões presentes do PS?
Nem o Mário Soares nem eu somos pessoas para nos deixarmos instrumentalizar. O António José Seguro foi autorizado pelo Mário Soares a dar a notícia. Evidentemente que isto tem importância para o PS e para a unidade do PS. Tem um valor simbólico. Soube posteriormente que o Mário Soares já tinha manifestado vontade de falar comigo. E o António José Seguro tinha manifestado este desejo, até no jantar de Alenquer (de celebração pelo PS do 5 de Outubro, em que Soares e Alegre estiveram juntos).

Quando é que acha que poderão encontrar-se os dois?
Espero que dentro de pouco tempo. Quando falámos ele tinha uma voz clara e forte. Quando ele assim o entender estaremos juntos. Aproveito a oportunidade para lhe dar um forte abraço e desejar um pronto restabelecimento e em plena força.

Como é que vê a situação dentro do PS?
Estou preocupado com o país. Este Governo está a substituir o Estado social por uma tirania fiscal. Precisamos de um PS muito forte. A liderança de António José Seguro saiu reforçada. E o António Costa saiu igualmente reforçado pelo contributo que deu.