Descobrir não é criar. Chegámos sempre ao que, antes de nós, já lá estava. Mas em cada chegada aconteceu uma dupla descoberta: a dos outros por nós e a de nós próprios pelos outros.
Manuel Alegre
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Manuel Alegre na Sic Noticias:
"O nosso país está desarmado"
24-10-2013 Entrevista conduzida por Ana Lourenço, Sic Notícias

“O nosso país está desarmado, a nossa última garantia é o Tribunal Constitucional”, afirmou Manuel Alegre na Sic Noticias, em entrevista conduzida por Ana Lourenço. “Portugal ainda não chegou à situação da Hungria” que é “uma situação protofascista”, considerou. Mas “se o Presidente fosse mais interventivo, o Tribunal Constitucional não seria chamado tantas vezes a intervir”, concluiu.
Veja a entrevista AQUI

Alegre criticou duramente as pressões sobre o Tribunal Constitucional, censurando directamente a senhora Lagarde, do FMI, e Durão Barroso. Para Manuel Alegre, “o Presidente da República não está a funcionar como última garantia da Constituição, deixa passar tudo”. Alegre recordou que Cavaco Silva o tinha acusado de mentir quando alertou na campanha eleitoral que iria haver dissolução do Parlamento e uma maioria de direita e que Cavaco Silva, como Presidente, não se oporia à destruição dos direitos sociais. “Não é só por razões ideológicas, é também por pânico dos credores”, considerou, comentando a interpretação minimalista que o actual PR faz dos seus poderes.

“A nossa democracia está muito esvaziada”, disse Manuel Alegre, referindo o que está a acontecer em Portugal e um pouco por toda a Europa, que é o esvaziamento do Estado e a supremacia dos mercados e do capital financeiro sobre tudo e todos. “Há uma tripla crise – a crise fiscal do Estado desarmado, a crise do sistema bancário e a crise económica com a consequência do desemprego”, disse Alegre, para quem "estas três crises se agravam e multiplicam reciprocamente."

Manuel Alegre defendeu a necessidade de "um novo compromisso socialista na Europa", recordando a origem histórica do socialismo como forma de combater a injustiça inerente ao capitalismo. “Ou os socialistas voltam ao impulso” inicial ou se tornam “historicamente desnecessários”, como já aconteceu com outras correntes políticas, afirmou.

Comentando os resultados das eleições autárquicas, Manuel Alegre alertou para a necessidade de os partidos se reformarem, embora considerasse que a auto-reforma dos partidos é muito difícil. Estas eleições mostraram que “os cidadãos estão a encontrar formas de corrigir os erros dos partidos, ou dos aparelhos dos partidos”, frisou, defendendo em seguida várias formas de abertura do sistema político, incluindo a possibilidade de alterar a Constituição e a lei eleitoral para permitir listas de cidadãos à Assembleia da República, bem como a escolha dos candidatos no PS através do voto dos militantes e simpatizantes do partido.