Descobrir não é criar. Chegámos sempre ao que, antes de nós, já lá estava. Mas em cada chegada aconteceu uma dupla descoberta: a dos outros por nós e a de nós próprios pelos outros.
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Declaração de voto contra a Proposta de Resolução que aprova o Acordo Ortográfico
16-05-2008 Manuel Alegre

"A língua é feita pelos povos, pelos poetas e pelos escritores, não por via burocrática ou diplomática", escreveu Manuel Alegre na sua declaração de voto sobre a Proposta de Resolução nº 71/X – Acordo Ortográfico.

Declaração de voto

Votei contra a Proposta de Resolução nº 71/X, que aprova o Acordo do Segundo Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, pelas seguintes razões:

- Sempre considerei que o acordo não é necessário;

- É tecnicamente muito discutível;

- A língua, incluindo a ortografia, faz parte do nosso património e da nossa identidade, tal como a terra, o mar e a História;

- Nenhum acordo poderá unificar uma língua cuja riqueza reside na sua diversidade;

- Como costumava dizer Mário Cesariny, a língua portuguesa, tal como hoje a falamos nos diversos países que escolheram o português, é, na sua estrutura essencial, a língua que Luís de Camões escreveu; mas é também a língua de Machado de Assis e Carlos Drummond de Andrade, de Luandino Vieira e Pepetela, de Mia Couto, Germano de Almeida e de todos aqueles que em português se exprimem e nas suas obras alargam e tornam mais rica a língua comum;

- A língua é feita pelos povos, pelos poetas e pelos escritores, não por via burocrática ou diplomática.

Lisboa, 16 de Maio de 2008

O Deputado

Manuel Alegre