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Manuel Alegre
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Artigo de Ana Luísa Correia sobre "Tudo É e não É"
Entre o sonho e a realidade
28-04-2013 DN Madeira

O mais recente livro de Manuel Alegre é o resultado do seu regresso ao romance. E que regresso!
“Ninguém sabe. E por isso todos somos perseguidos, atacados, cercados sem saber por quem, inimigos desconhecidos, mão invisível. E se alguém pergunta como não morro, eu lhe responderei: que porque sonho.”

E é de sonhos, ou talvez não, que fala o mais recente livro de Manuel Alegre, poeta que desta vez regressa ao romance como “Tudo É e não É”, obra editada sobre a chancela da Dom Quixote e que será apresentada publicamente amanhã (dia 29 de Abril) em Lisboa.

Manuel Alegre “abandonou” a poesia (ou talvez não, porque a prosa também consegue ser poética) e escreveu um romance sobre António Valadares, um escritor que vive submerso num sonho obsessivo e recorrente, de onde não há fuga possível.

É António que se questiona, logo nas primeiras páginas do livro: “Estarei acordado, estarei a sonhar? Nunca mais conseguirei saber. Shakespeare sabia: Somos feitos da mesma matéria de que são feitos os sonhos.”

E é teimando em se manter numa viagem em busca do sentido dos seus sonhos, estranhamente recorrentes e muitas vezes bizarros, entre personagens reais e fictícias, entre paisagens distantes ou tão próximas, que o narrador, também personagem principal, entra numa espiral caleidoscópica onde o sonho se confunde com a realidade.

Em “Tudo É e não É”, Manuel Alegre revela também, e de certa forma, algumas das suas próprias inquietações, aquele desejo de liberdade, de continuar a lutar, mesmo que de forma velada, mesmo quando a arma é apenas uma ou muitas palavras escritas. E há histórias que se confundem, memórias que parecem tão reais, episódios que soam familiares e que vão muito para além do sonho e da ficção. Talvez o escritor sobre o qual Alegre escreve seja muito mais do que uma personagem fictícia e as suas “obsessões”, sonhos ou pesadelos sejam afinal reais. Afinal, “Tudo É e não É”…