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Prefácio de José Carlos de Vasconcelos
Quando a poesia faz e se faz História
12-01-2015 José Carlos de Vasconcelos
Prefácio da edição especial dos 50 anos da Praça da Canção

1. Sendo um belo e, dentro de uma linha lírica que remonta aos cancioneiros, inovador livro de poesia, Praça da Canção, de Manuel Alegre, há muito ultrapassou as fronteiras da literatura para assumir uma dimensão simbólica ou mesmo mítica. Quando saiu, no início do ano de 1965, há 50 anos, que com esta edição se assinalam, foi também um incisivo retrato de uma «(…) pátria parada / à beira de um rio triste», foi uma bandeira desfraldada e um rastilho de resistência e luta contra a ditadura. Hoje, cerca de quatro décadas depois da profunda mudança da realidade (aparentemente?) na génese da maioria dos seus poemas, e que em parte explica a sua imediata extraordinária repercussão e influência, a Praça da Canção (PdaC) «continua»: sucessivas gerações a leram, ouviram, se calhar cantaram, de certo modo viveram. E isto diz muito, se não tudo.

2. Os versos de PdaC andaram, desde sempre, de boca em boca, de mão em mão, de coração em coração, em simultâneo singular expressão individual de um poeta e vigorosa voz coletiva de um povo. Um poeta cidadão, um povo – e(m) sua História. Povo recusando qualquer servidão ou fatalidade, incluindo a da tristeza («Esta tristeza que nos prende em sua teia / esta tristeza aranha esta negra tristeza / que não nos mata nem nos incendeia // antes em nós semeia esta vileza / e envenena ao nascer qualquer ideia. / É preciso matar esta tristeza»); recusando um qualquer novo Alcácer Quibir, que no seguimento de outros sinais a guerra colonial prenunciava. Povo que em tempo de tirania, de guerra, de emigração, de cárcere e exílio grita «não». Grita «não» e quer construir uma nova pátria, não renegando o passado antes sobre o melhor dele construindo o futuro.

Que nova pátria? A do País de Abril, que tão premonitória e profeticamente nasce neste livro e cuja eclosão concreta é de certa forma anunciada no seguinte, O Canto e as Armas; País de Abril, «sítio do poema», que esteve até para ser o título de Praça da Canção, só o não sendo para evitar confusões com o então turístico «Abril em Portugal».

3. Em PdaC está antes de tudo um homem, um cidadão, um patriota – exatamente o contrário do nacionalista então imperante –, um poeta a cantar «de pé no meio do país amado». Falando «da história que não vem na História», assumindo, do avesso e de alguma forma mesmo do direito, a sua mitologia.

Certo de que, embora não sendo «talvez suficiente», «só cantando por vezes se resiste / só cantando se pode incomodar»; certo de que com o canto também se liberta e dignifica, também se transforma a pátria e o mundo. Em PdaC está um aedo, um trovador que crê em valores e ideias, crê nas palavras, na música das palavras, na força das palavras, e as quer espalhar entre o povo semeando-as no vento que passa.

Trovador, escrevi. E algumas das Trovas deste livro são dos seus raros poemas publicados ainda antes de PdaC sair – ou seja: em 1961 e 1962, na Via Latina, semanário da Associação Académica de Coimbra e «órgão dos estudantes portugueses», que estavam na linha da frente da contestação à ditadura. Porque as Trovas são dos primeiros poemas em que Alegre, através de formas tradicionais, com uma forte marca de oralidade, encontra o seu tom, o seu ritmo, a sua batida, a voz e dicção próprias, inconfundíveis, que progressivamente se aprofundariam e enriqueceriam ao longo da sua obra.

As Trovas, em que sobressai o cantabile dos seus claros versos de sete sílabas, seriam também, como é natural, os seus primeiros poemas musicados. E uma delas, a «Trova do Vento
Que Passa» – de António Portugal, cantada pelo Adriano Correia de Oliveira, pela primeira vez, num encontro associativo em Lisboa, em 1964 –, estatuindo-se desde logo como uma espécie de hino das lutas estudantis; e, depois, como uma das cantigas/símbolo da luta antifascista em geral.

O facto de, por sua vez, Alain Oulman ter musicado a, ainda anterior, «Trova do Amor Lusíada», e de ela ser cantada pela grande Amália (Rodrigues), só por si dá ideia do que a poesia do autor de PdaC significou, e significa, sendo porventura a musicalmente mais interpretada e recriada de sempre – devendo distinguir-se, entre os que mais e melhor a musicaram, além do Adriano, o José Niza. Só a partir de poemas deste livro há mais composições de, entre outros, o próprio Adriano (nomeadamente a notável «Canção com Lágrimas e Sol», um dos mais brilhantes casos de mútua valorização e perfeita sintonia poesia – música – interpretação), José Afonso, Luís Cília, Francisco Fanhais, Manuel Freire. A de Freire sobre a Trova em que Alegre exatamente (pro)clama: «Em trovador me tornei. / Se a voz do povo me chama / eu com ele cantarei. / (…) Com trovas entro na liça / não tenho as armas do rei. / Canto a favor da justiça / que em trovador me tornei. / (…) Nem outras razões eu tive / para ter razão na vida: / procurar a pátria livre / dentro da pátria perdida.»

4. Quando a PdaC vem a lume, Manuel Alegre já era, pois, muito conhecido. Pode-se dizer mesmo que começava a criar-se à sua volta uma certa aura, para não dizer lenda, a que a edição do livro deu, como é natural, um grande impulso.

O poeta tinha sido, designadamente, ator do TEUC (Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra), um dos fundadores do CITAC (Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra), efémero diretor de um jornal académico/literário de saída irregular, A Briosa (onde, em 1953, publicou o seu primeiro poema Herberto Helder, sete anos mais velho do que ele, e com cujos poemas da época os seus, de Alegre, imediatamente anteriores a PdaC, me parecem ter bastantes afinidades), colaborador dos Poemas Livres, destacado militante e orador das lutas estudantis, por pouco tempo redator da revista Vértice, para a qual entrámos no mesmo dia, em 1961, nós os dois, Fernando Assis Pacheco e J. A. Silva Marques.

Por pouco tempo porque, na sequência da sua intervenção naquelas lutas, foi chamado para a tropa e mandado primeiro para os Açores, onde teve como capitão Ernesto Melo Antunes, depois para Angola, para a guerra colonial onde ela era mais dura. Ao contrário do que é acusado em algumas das inúmeras campanhas contra si desencadeadas ao longo dos anos, em particular quando assumiu maior protagonismo político, como nas duas candidaturas à Presidência da República, Alegre não só não desertou como esteve na pior frente de combate, a de Nambuangongo. Conspirou contra o regime, tentou mesmo organizar uma sublevação militar contra ele, foi preso pela PIDE e esteve no cárcere em Luanda durante seis meses, período a que se refere o texto de abertura de PdaC.

Recambiado para Coimbra, com residência fixa e apertada vigilância, isso não o intimidou, continuando a sua actividade associativa e política. Foi nessa época que escreveu muitos dos poemas de PdaC, incluindo a referida «Trova do Vento Que Passa». Sabe então, estamos em Maio de 1964, que vai de novo ser preso pela PIDE, e desaparece. Após dois meses escondido – durante os quais organiza este livro agora «cinquentenário» –, parte clandestinamente para o exílio, para Paris. E de Paris vai para Argel, onde já está, quando, em janeiro de 1965, a Praça da Canção é editada em Coimbra, 3.º volume da colecção Cancioneiro Vértice, que se iniciara com o também excelente e inovador Cuidar dos Vivos, de Fernando Assis Pacheco (o 2.º volume foi o meu Corpo de Esperança ).

Em Argel, a fantástica voz de Alegre, que como nenhuma outra dá voz aos seus poemas, corporiza os seus poemas, passa a ser também a da Voz da Liberdade, emissora da portuguesa Frente Patriótica de Libertação Nacional, que emite para Portugal, denunciando e combatendo a ditadura salazarista. O que obviamente contribuiu para uma imediata e ainda maior repercussão, e de certo modo até mitificação, do livro e do poeta.

5. A Canção que está na Praça é «viagem do homem para o homem», «festa triste», «navio», «pátria» do poeta com um profundo sentido da Pátria e sua história (e sua História...), por vezes como que parecendo mesmo sentir-se um mensageiro, como que predestinado para uma missão; do poeta que, como se viu, já tem muita biografia, uma rica e diversificada experiência vivencial, um percurso que lhe permite escrever nesta inicial PdaC: «(…) meu poema rimou com minha vida.»

De facto, aquele sentido nacional e patriótico, de libertação e redenção do país, o essencial de uma experiência e de um percurso inscritos na dramática realidade portuguesa, que se pretende transformar profundamente, atravessam as páginas de PdaC de uma ponta à outra. Desde a «Canção Primeira», em que vai até longínquas raízes históricas e proclama: «Em cada poema estou mas não sozinho. / Antes de mim a língua e os que primeiro / cantaram a longa história do poema», até à «Última Página» em que se propõe «(…) soltar / a Primavera no País de Abril». Pelo meio, nesta linha, poemas tão fortes e significativos como, por exemplo, «Crónica dos Filhos de Viriato» e «Carta do Manuelinho de Évora a Miguel de Vasconcelos, Ministro do Reino por Vontade Estranha».

No que respeita à experiência do poeta, que é sangue dos seus versos, destaca-se neste PdaC a da guerra colonial: a emigração e os emigrantes, em especial em Paris, o «lusíada exilado», a «pátria expatriada», terão presença marcante mas em O Canto e as Armas, de 1967, o primeiro do autor escrito no exílio – em PdaC há apenas a «Trova do Emigrante». Dos oito poemas sobre a guerra, teve especial impacto o intitulado «Nambuangongo Meu Amor»: pela denúncia (fala-se mesmo de «a cabeça cortada», numa altura em que apareceram, para horror de todos, fotos com cabeças de terroristas espetadas em paus por militares portugueses); pela feliz utilização do símbolo Hiroxima; pela melodia e sobretudo pelo poderoso ritmo envolvente, que a futura cantiga de Paulo de Carvalho haveria de recriar muito bem.

Por outro lado, com a guerra causando cada vez mais vítimas, mortos, e afetando todos os portugueses, poemas como a citada «Canção com Lágrimas e Sol» ou «Romance de Pedro
Soldado» (uma espécie de novo «O Menino de Sua Mãe», de que bastante se aproxima, mas de uma guerra concreta, nossa) causavam profunda emoção. Tudo numa época, recorde-se, em que era preciso coragem e se corriam riscos ao simplesmente falar da guerra, oficialmente dita do Ultramar, se não fosse para apoiar a suicida política salazarista. E uma época em que era ainda quase inexistente a produção literária conhecida que dessa realidade se ousasse ocupar – o primeiro belo poema publicado em livro sobre a guerra terá sido exactamente o «Soneto» com que finaliza o citado Cuidar dos Vivos, enviado já de Angola pelo (Fernando) Assis (Pacheco) quando o livro já estava para imprimir.

6. É difícil, a quem não viveu esse tempo, ter uma ideia ou uma imagem cabal do que nele representavam certos factos e acontecimentos hoje banais, o que representava, e representou, o enorme impacto, a diversos níveis, do aparecimento de Praça da Canção. Que quando foi apreendido e proibido pela polícia já tinha produzido os seus efeitos – e a partir daí começou a circular clandestinamente, copiografado, datilografado, passado à mão. Com o marcelismo, em 1969, apareceu uma 2.ª edição, da Ulisseia, não recordo se de novo apreendida.

Entretanto, não havia encontro, debate, recital, sessão de canto livre, o que fosse, em agremiação popular ou cultural, cooperativa, grupo de teatro ou musical, associação de estudantes, em que os poemas do Manel não fossem cantados ou ditos. Eu próprio fui dos que durante muitos anos os disse, em vários pontos do país, até ao 25 de Abril, umas vezes em sessões com alguns daqueles companheiros (Zeca, Adriano, depois Freire, Fanhais, etc.), e não só, outras, talvez a maioria, sozinho ou acompanhado pelo Carlos Paredes – o genial Carlos Paredes, imagine-se, a _acompanhar- poemas e este seu dizedor aí pelos humildes ou discretos lugares em que era possível, e necessário, fazê-lo!

Posso, por isso, dar testemunho da forma como a poesia de Manuel Alegre tocava, emocionava, entusiasmava as pessoas. Porque era feita da substância incandescente de grandes iras e raivas, aspirações e esperanças coletivas. Porque era porta-voz de problemas e anseios, inquietações e indignações. Fazia pensar e sentir, intervinha e incitava à ação.

Pelo que dizia? Também. Mas não menos pelo que era, pelo que é: só a qualidade dos poemas – qualidade poética e ética, sublinhe-se –, só a sua riqueza e beleza formais, explicam, de par com o que antes se acentuou, a forma como eram sentidos e vividos pelas pessoas, a sua extraordinária divulgação, ia dizer: propagação, a sua eficácia, o seu êxito.

Claro que em PdaC, praticamente um primeiro livro (Alegre publicou, dez anos antes, em 1955, um voluminho adolescente, Sensações Românticas, nem referido na sua bibliografia), se podem encontrar versos e poemas mais fáceis e débeis, com fragilidades, demasiado declamatórios – alguns dos quais, aliás, retirou da edição definitiva, de 2005, que esta reproduz.

Mas em geral e no essencial PdaC tem já, e no efeito surpresa talvez mais do que qualquer outro livro seu, a luzinha, a chispa, a força, o sopro – como o autor lhe chama – que definem o raro poeta que o tempo confirmou, sempre de oficina e com horizontes ampliados, enriquecidos, mormente naquilo que a poesia nunca pode deixar de ser: linguagem.

Linguagem. Manuel Alegre criou a sua, com raízes que remontam aos cantares de amigo, com ressonâncias camonianas e anterianas, ecos de muitas e muito atentas leituras, de Hölderlin e Rilke a Torga, Sophia e Herberto, integrando conquistas da melhor poesia moderna. Criou a sua linguagem com o tal sopro, com um ouvido apuradíssimo e uma multiplicidade de procedimentos formais que passam pela métrica, pelas rimas de vários tipos, pela repetição estruturante, pela contida metaforização, pelo ritmo marcado e marcante, com a batida, a toada muito própria, claramente diferenciadora.

Que também explica tantas e tantos o cantarem: os já citados, mas muitos outros que posteriormente se lhes juntaram, de Carlos do Carmo e João Braga a Maria Bethânia, admirável intérprete de Senhora das Tempestades, outro título maior do poeta que também se distingue na prosa, na ficção, em que essa toada amiúde é notória.

7. De tudo que ficou dito, e do muito mais que ficou por dizer, resulta que PdaC é um dos livros de poesia mais lidos, mais difundidos e mais marcantes, no seu tempo, da poesia portuguesa de sempre. As suas edições, autónomas ou em volumes que reúnem também a obra posterior, têm-se sucedido, e julgo já terão ultrapassado as vinte ou trinta. Entre elas se incluindo edições especiais, como as ilustradas por Rogério Ribeiro e José Rodrigues – esta, com a chancela da Dom Quixote e prefácio de Paula Morão, comemorando os 40 anos da sua publicação.

Ora, se até ao 25 de Abril de 1974, e ao período imediatamente seguinte, ainda se poderia sustentar, embora de forma redutora, que a capacidade de PdaC para interessar, até emocionar, tanta gente de várias gerações se devia sobretudo a razões políticas, depois, nas últimas quase quatro décadas, isso não é possível. E enquanto há muito desapareceu do mapa certa poesia considerada a boa e intemporal pela crítica dominante, a poesia de PdaC, segundo essa mesma crítica menor e datada, é que, repito, continua: continua aí, aqui, a somar edições e leitores. Bem viva e a vários títulos atual – mas esta já seria outra conversa...

Logo após a saída de PdaC, Mário Sacramento escreveu que «com Manuel Alegre nasceu o maior poeta do neorrealismo», o que creio não ser exato pela singela razão de que Alegre nunca foi, de facto, neorrealista, pelo menos no sentido que alguns dos seus teorizadores lhe deram; mas ao mesmo tempo salientou, bem, a novidade da «tensão épica» em PdaC.

Esta vertente, a matriz épica de parte da poesia de Alegre, ou a «nostalgia da epopeia», como lhe chamou Eduardo Lourenço, viria a ser naturalmente um dos mais constantes ângulos de abordagem da sua obra, hoje vasta e muito significativa em vários géneros, mas com a poesia sempre na primeira linha. E entre os muitos que sobre ela têm escrito, além de Sacramento, Lourenço e Paula Morão, sem nenhuma ordem lógica ou cronológica, portugueses e estrangeiros, recordo Maria Helena Rocha Pereira, Vítor Aguiar e Silva, António Ramos Rosa, Robert Bréchon, Carlo Vittorio Cattaneo, Urbano Tavares Rodrigues, Carlos Reis, Clara Rocha, Giulia Lanciani, Erilde Melillo Reali, Eugénio Lisboa, João de Melo, Paola Mildonian, Ana Maria Vilhena Fernandes, Catherine Dumas, Eduardo Prado Coelho, Margarida Calafate Ribeiro, José Ribeiro Ferreira, Mário Lugarinho, Roberto Vecchi, Olinda Kleiman, José Manuel Mendes, Paulo Sucena, Maria Luisa Cusati, Sandra Bagno – para os seus textos remetendo, pois não cabe aqui citar sequer algum seu trecho ou aspeto particularmente interessante.

Lírico, romântico, épico; epopeia e anti-epopeia; tradição e inovação; discurso e dialética; passado, presente e futuro, vários tempos num só tempo; hino, bandeira, sonho, arma; trova, romance, canção, crónica – tudo. Num dramático e emblemático momento da história e do destino coletivo dos portugueses, visando também, exigência (po)ética, intervir, contribuindo para a libertação, em todos os sentidos, do nosso país e do nosso povo. O que, com poesia, só é possível, só é eficaz, como no caso foi, quando a poesia tem, insisto, qualidade.

E só atinge a importância e dimensão que com PdaC atingiu quando se trata de um grande poeta como Manuel Alegre.

«Canto conforme a circunstância», lê-se no primeiro verso de um poema deste livro. Mas, se o canto chega fundo e chega alto, como o local passa a ser universal a circunstância perpetua-se. Ou seja, citando os últimos versos do mesmo poema, fica a «(…) canção acesa / sobre a noite / do mundo». Como nesta Praça da Canção acontece.