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Manuel Alegre
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Resposta a Vital Moreira
A candidatura de Manuel Alegre e a revitalização do PS
31-01-2010 João Silva, Diário de Coimbra

Na sua habitual coluna de opinião no Público Vital Moreira volta – adoptando a grafia do Novo Acordo Ortográfico – a Manuel Alegre e à sua candidatura presidencial. Fá-lo com a autoridade de alguém que não sendo do PS faz uma interpretação autêntica da sua linha político-ideológica e uma defesa da sua modernização social-democrata. Uma linha de desvitalização do PS enquanto partido de esquerda.

Não contesto a segurança do seu conhecimento dos pressupostos de acção política da actual direcção do PS, dada a proximidade que lhe tem sido facultada e as “missões” que, por esta, lhe têm sido confiadas, enquanto eu, um simples e provinciano militante de base, confinado a uma Coimbra que tão pouco considerada é, não partilho esse conhecimento. Não posso, no entanto, deixar de rejeitar a ideia de que Manuel Alegre aprisionou o PS e que este se lhe vai ter de render, estando em causa, tão só, o momento e as condições de rendição.

Mais ainda, acusar Manuel Alegre por dificuldades criadas ao Governo socialista na passada legislatura, que ainda estarão vivas, é uma afirmação arriscada, para não dizer outra coisa, dado que para muitos militantes e eleitores do PS Manuel Alegre com os seus alertas, chamadas de atenção e posterior participação na campanha eleitoral do PS garantiu, isso sim, que o PS não tivesse sido mais penalizado eleitoralmente.

Aliás, talvez se o PS – particularmente o seu Governo – tivesse ouvido mais cedo e melhor Manuel Alegre, em áreas e matérias cruciais, os resultados eleitorais fossem mais positivos do que aqueles que acabou por ter. Basta ver quanto foi positivo ter sido ouvido relativamente à Saúde e quanto foi negativo não lhe terem sido dado ouvidos na Educação.

Não sei se a política de Educação seguida no anterior Governo socialista, e tão entusiasticamente defendida por Vital Moreira, correspondeu a uma moderna prática política social-democrata do PS e se os seus resultados políticos não terão sido uma das causas das dificuldades por que passou o Governo e que acabaram por se traduzir numa avaliação eleitoral negativa.

Quem terá, neste caso e só para citar um, causado verdadeiras dificuldades ao Governo anterior do PS?

Por outro lado, falar do óbvio “gaullismo” presidencial de Manuel Alegre é assumir uma “verdade” que não se vê onde se fundamenta sendo, portanto, um argumento de medo e não de razão que só contribui para enfraquecer as teses de Vital Moreira, assim como “assustar” com o argumento gasto dos comentadores de direita da dependência do BE também não colhe, sobretudo junto de quem não tem complexos de esquerda e continua a entender o PS como um partido de esquerda.

Vital Moreira assume, sem entusiasmo ou melhor contrafeito, que Manuel Alegre poderá surgir como candidato único à esquerda, não lhe augurando, contudo, grandes possibilidades de vitória. Já é um avanço e o reconhecimento do mérito político de Manuel Alegre, pela forma como avançou e quando avançou, deixando o maior partido português sem margem de manobra e conseguindo aquilo que Vital Moreira não conseguiu nas eleições europeias.
Coloca-se agora - coloca Vital Moreira -, a questão do eleitorado flutuante e as condições que Manuel Alegre terá para “entrar” nesse eleitorado. Bem, nas últimas eleições presidenciais parece evidente que sendo Mário Soares o candidato do PS e tendo tido Manuel Alegre os resultados que teve o eleitorado flutuante não lhe ficou indiferente e é óbvio que com a ajuda de Vital Moreira, ainda que com alguma reserva e dificuldade, mas perante a irreversibilidade da única candidatura à esquerda com condições de vitória, Manuel Alegre tem condições de ser o próximo Presidente da República.

Até para Vital Moreira seria, sem dúvida, uma “prenda” pelo que representaria de revitalização do PS, quando se comemora o Centenário da República.