"Sobretudo nas horas em que tudo / de repente se esvazia / e pesa mais que tudo esse vazio / ... / é precisa (mais que tudo) a poesia."
Manuel Alegre
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Um Presidente para Portugal
03-02-2010 Carlos Diogo Moreira, DN

Enganam-se os que pensam que os cidadãos só pensam no presente. Os cidadãos reconhecem, sim, quem lhes aponta portos e horizontes, quem lhes permite esperar em vez de apenas aguardar. Todas estas expectativas podem vir a ser cumpridas por Manuel Alegre.

"A felicidade pode ser encontrada mesmo nos tempos mais escuros: basta apenas que alguém se lembre de ligar a luz"
Um acontecimento relevante de 2010 será por certo a próxima campanha presidencial. É altura, portanto, de criar expectativas e formular desejos. Que esperar do Presidente da República?
Que seja um cidadão íntegro, de bom senso, um cidadão entre cidadãos. Neste aspecto, o Portugal democrático tem revelado uma honrosa tradição. O presente ano não é, porém, um ano qualquer e a escolha dos portugueses é especialmente importante dada a crise social, económica e institucional que o País atravessa e provavelmente experimentará por algum tempo. A campanha será, pois, decisiva pelas razões apontadas, mas será marcada também por um evidente simbolismo: 2010 é o ano em que se comemoram os 100 anos da República. O que desejar, então, num futuro presidente de Portugal?
Que tenha uma paixão pela liberdade e uma vocação para a tolerância, mantendo aceso o encanto democrático.
Que seja um patriota e um cidadão do mundo, isto é, que se identifique com as raízes profundas da nossa história e da nossa cultura, mas seja simultaneamente um cosmopolita, aberto aos problemas do mundo global de hoje.
Que seja especialmente sensível às questões sociais, acompanhando, em particular, os problemas do trabalho e da qualidade de vida dos cidadãos. Porque uma sociedade onde não há emprego é uma sociedade que não pode ser feliz.
Que saiba estar atento à economia portuguesa, procurando, nomeadamente, contrariar o ensimesmamento para que o País resvalou, com uma economia sem perspectivas, rendida à pequenez dos seus infortúnios e à deriva nos seus objectivos. O presidente tem de ter uma palavra de estímulo para com os empresários que queiram apostar no futuro, não no imediato, que mostrem vontade de inovar, mas que possuam um forte sentido de responsabilidade social.
Que seja exigente em matéria de justiça, pugnando pelo espírito de independência e rigor de todos os responsáveis e defendendo o respeito pelos cidadãos. Mas, em especial, que devolva a credibilidade às instituições, porque País sem justiça é democracia sem virtude.
Que seja sensível às questões de educação e cultura. "Só o que sabe é livre e mais livre é o que mais sabe", disse Unamuno. Educação cultural e educação científica exigem ambas uma visão consistente a longo prazo. Governantes e eleitores são cada vez mais chamados a tomar decisões sobre questões cada vez mais complexas que solicitam conhecimentos mais elaborados a diversos níveis. A realização de uma cidadania plena passa por aqui. Porque uma sociedade sem uma formação sempre mais exigente é uma sociedade que não pode controlar o seu destino.
Que seja ousado nas intervenções e decisões que tiver de fazer e tomar. Que pense o que ninguém pensou ainda. Que pense o impossível e veja o que não é visível. Porque a situação a que o País chegou não se compadece com perdas de tempo em querelas estéreis.
O presidente de todos os portugueses não pode recear afrontar aqueles que não dignificam as funções públicas que lhes foram confiadas. Porque os portugueses estão incomodados com a insignificância de tantos dirigentes face aos graves problemas com que se deparam, e mais incomodados estão ainda por apenas verem indecisão, interesses particulares e desprezo pela honra de bem servir o País. É, portanto, essencial fazer uma pedagogia da causa pública baseada numa ética que não precisa ser utópica nem mágica mas apenas uma ética republicana.
Que tenha sempre uma palavra de optimismo e futuro. Enganam-se os que pensam que os cidadãos só pensam no presente. Os cidadãos reconhecem, sim, quem lhes aponta portos e horizontes, quem lhes permite esperar em vez de apenas aguardar.
Todas estas expectativas podem vir a ser cumpridas por Manuel Alegre. Homem da palavra, a sua palavra é esperança e a nossa esperança a sua palavra.

iProfessor universitário/i