(...) ainda é Lisboa de Pessoa alegre e triste / e em cada rua deserta / ainda resiste.
Manuel Alegre
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O que é que o Manuel tem?
15-02-2010 Domingos Lopes, Público

Goste-se ou não, o Manuel tem o perfil para neste momento histórico poder bater o candidato de direita.

Há coisas que são como são. Não há volta a dar-lhe. Manuel tem um rasto de pegadas inapagáveis nos últimos 50 anos da história de Portugal.

Pode-se ter estado ou não de acordo com o trajecto, mas ele tem um percurso. Uma história. Isso ninguém lhe pode tirar.

E de que é feito esse rasto? De muitas lutas. Umas de um certo modo, outras de outro modo. Mas lutas são lutas. E elas foram e são lutas pela liberdade, pela democracia e pelo progresso social.

Nem sempre estivemos todos do mesmo lado, mas sempre soubemos onde estava o Manuel...

O passado é passado. Está presente, mas não pode ocupar mais espaço que o presente, sob pena de não haver futuro, apenas passado.

O Manuel tem o que poucos políticos têm: um percurso feito de personalidade e de querer aquilo em que crê. Não se acomodou, em momento algum. Tem a força dos que consideram mais alto a sua consciência do que a acomodação a uma orientação partidária.

Sempre teve uma voz própria. A sua. E se todos, em todos os momentos, decidem às vezes cheios de tantas dúvidas, o Manuel tem o carácter de ter decidido recentemente que não podia estar de acordo com o seu partido no modo como os trabalhadores foram sacrificados no Código do Trabalho, no modo como os professores foram maltratados pela ex-ministra da Educação, no modo como o Governo encarou o Serviço Nacional de Saúde.

Bem, mas isto é suficiente? Não há quem tenha mais?

Quanto à resposta à primeira pergunta, ela só pode ser clara, se se tiver presente a segunda pergunta.

Para se ter a possibilidade de ser eleito Presidente da República, o que é só o cargo mais importante da nossa República, é necessário que se tenha em consideração a eleição. A pergunta é muito simples: há alguém à esquerda, mesmo para quem considera que não é a esquerda-esquerda, que não é a tal consequente, a tal radical, a tal pura, a tal que é a única, que tenha essas possibilidades? Todos sabem qual é a resposta. Mas até sabem mais, desde sempre e sobretudo desde a eleição de Salvador Allende.

É preciso ir para além da esquerda. É preciso que os socialistas, os comunistas, os bloquistas, os renovadores, os de esquerda sem partido e outros mais à direita votem no Manuel. Este é o desafio. Tem o que ninguém tem com capacidade de ganhar. Tem o melhor de uma geração que se distinguiu pelo seu empenho, pela sua cultura, pelo seu civismo. O Manuel tem a cultura que a maior parte dos políticos não tem. Tem a verticalidade e honra como património. Tem uma ideia de Portugal, e entende que Portugal precisa de um Presidente que defenda os seus interesses nacionais dos seus inimigos, mas também dos seus amigos parceiros.

Num momento em que se perfila que a direita se vai colocar na posição de apoiar Cavaco, pode alguém de esquerda, ou patriota ou um democrata defensor do regime de Abril, ter dúvidas acerca da importância de contrapor um candidato que possa ganhar?

Houve momentos em que nas esquerdas se travaram batalhas em que Alegre esteve de um lado e o PCP e outros de outras esquerdas estiveram noutro lado. É verdade. Mas insisto: a batalha não é para resolver os problemas do passado; o problema é assegurar um futuro diferente com um Presidente diferente.

Goste-se ou não, o Manuel tem o perfil para neste momento histórico poder bater o candidato de direita. Vai ser muito difícil. Mesmo muito difícil. Mas só há uma alternativa e ela é a eleição de Manuel Alegre.

Normalmente, historicamente as direitas conseguem unir-se mais que as esquerdas. Cada esquerda de per si reivindica a sua "pureza", tende a considerar-se única, a mais consequente, a radical, a verdadeira... Mas esse não é um destino, é algo que se pode alterar. São os homens que fazem com a sua inteligência a História. Agora temos a oportunidade de bater a direita elegendo Manuel Alegre.

É o que ele tem. Essa possibilidade. Não se pode perdê-la.