(...) ainda é Lisboa de Pessoa alegre e triste / e em cada rua deserta / ainda resiste.
Manuel Alegre
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Jantar de apoiantes em Coimbra
Intervenção de António Arnaut
19-02-2010

"Poucos, como tu – que foste e continuas a ser a “Voz da Liberdade”, que nos encorajaste com os teus poemas a enfrentar a ditadura, que sempre nos mobilizaste para as grandes lutas – podem falar, tão apropriadamente, de República e de Democracia."

Amigos e Camaradas
Caro Manuel Alegre

Cabe-me dirigir duas breves palavras de saudação em nome dos teus amigos e apoiantes de Coimbra. Faço-o com o gosto de quem transmite uma mensagem de solidariedade fraterna a um velho Camarada, e com o júbilo de quem partilha um momento alto das nossas vidas.

São difíceis e conturbados os tempos que correm. No ano do centenário da implantação da República ainda não realizámos os seus grandes valores: Liberdade, Igualdade, Fraternidade. Cidadania e Justiça.

Dói-nos esta resignação fatalista, esta surdez ao clamor dos excluídos, este adiamento do futuro. Dói-nos este horizonte nublado, este “Portugal a entristecer”. Mas sentimo-nos reconfortados por sabermos que “a esperança tem sempre tempo”.

Parafraseei, como já compreenderam, dois grandes poetas portugueses: Fernando Pessoa e Miguel Torga. Vou citar um terceiro, que ombreia com aqueles, vou citar-te a ti, Manuel. Um verso apenas, que é a proclamação de uma verdade urgente: “cada país tem o tamanho dos seus homens”.

Façamos, pois, de Portugal um país à medida da nossa esperança: o país livre, justo e solidário com que sonhámos desde a juventude e que tu, Manuel, personificaste com o teu exemplo, com a tua coragem, com a tua coerência, antes e depois de Abril. Poucos, como tu – que foste e continuas a ser a “Voz da Liberdade”, que nos encorajaste com os teus poemas a enfrentar a ditadura, que sempre nos mobilizaste para as grandes lutas – podem falar, tão apropriadamente, de República e de Democracia. E também da Pátria, essa ideia-força, essa palavra-cifra, que é um compromisso entre a História e o povo que a escreveu, entre a cultura e a língua que a expressa, entre o presente e o futuro a haver.

Nos tempos difíceis em que vivemos, precisamos de um homem da tua estatura ética, política e cultural na Presidência da República, que tenha autoridade moral, a auctoritas romana, para, no desempenho da sua magistratura, e no cumprimento das suas atribuições, contribuir para a resolução dos graves problemas que nos atormentam, para a consolidação da Democracia, para a dignificação da política, para o harmonioso funcionamento dos órgãos de soberania, defendendo a Constituição da República e, consequentemente, o Estado Social de Direito. Alguém que saiba pensar Portugal e que, como nós, viveu “a vida toda em sonho e a esperar sempre”. Que nos faça reencontrar e redimir a esperança de Abril.

É com essa esperança que te saudamos, Caro Amigo e Camarada, agradecendo-te a disponibilidade patriótica para mais este combate, garantindo-te o nosso activo e indefectível apoio. Um combate que não tem inimigos, porque é feito pelo povo, com o povo e para o povo. E porque nele cabem todos aqueles que querem, como dizia o nosso Mestre António Sérgio, criar as condições concretas para que a liberdade seja de todos, quer isto dizer, para que todos sejam cidadãos de parte inteira.

A tua e nossa candidatura é, pois, um imperativo moral irrenunciável. Portugal não pode esperar.

Perguntaste um dia num poema:

E agora Portugal o que será de ti
se não formos capazes
de chegar aqui.

Nós respondemos:

Chegámos aqui
e chegaremos mais além:
chegaremos a Belém!

Obrigado meu Caro Manuel Alegre