(...) ainda é Lisboa de Pessoa alegre e triste / e em cada rua deserta / ainda resiste.
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Jantar de apoiantes em Coimbra
Mensagem de Santana Maia
19-02-2010

Impossibilitado de estar presente fisicamente, como era meu desejo, devido a doença, venho por este meio manifestar publicamente o meu inteiro e total apoio à sua candidatura à Presidência da República, o qual resulta do conhecimento pessoal que tenho das suas qualidades de inteligência e de carácter e da sai acção política e cívica em prol da Liberdade e da Democracia.

Efectivamente, conhecemo-nos desde os anos 50, quando éramos estudantes da Universidade de Coimbra, tendo-nos reencontrado em Luanda, no regresso de Angola, no navio Vera Cruz, em 22 de Novembro de 1973, dia em que foi assassinado o Presidente Kennedy, de que tivemos conhecimento ao princípio da noite, já no barco, pelo que foi p tema das nossas primeiras conversas, em que participou, igualmente, o nosso comum amigo, Fernando Assis Pacheco, que vinha evacuado de Angola para Lisboa, por doença e entregue aos meus cuidados médicos.

Logo depois, em Coimbra, tive oportunidade de conversarmos novamente quando, ao fim da manhã, o levava no carro para casa da sua irmã para almoçar, ao regressar do Hospital da Universidade de Coimbra, onde eu começara a trabalhar e onde ia visitar o seu sogro, aí internado.

Numa dessas conversas anunciou-me que estava iminente a sua nova prisão pela Pide, pelo que teria de abandonar Portugal, o que efectivamente aconteceu, com a sua ida para Paris, como exilado, e depois para Argélia, donde passei a ouvi-lo, regularmente, ao microfone da Rádio Liberdade.

A seguir ao 25 de Abril e ao seu regresso à Pátria, encontrámo-nos em Coimbra, no primeiro comício do Partido Socialista, no Pavilhão dos Olivais e, posteriormente, aquando da visita do Primeiro Ministro, Dr. Mário Soares, ao Hospital dos Covões, de que eu era Director, em Setembro de 1977 e que terminou com um jantar na Lapa dos Esteios, nas Lajes, onde tivemos oportunidade de conversar mais longamente.

Em 7 de Dezembro de 2004, ao festejar os 80 anos, Mário Soares afirmou, solenemente, ter terminado a sua vida política, mas as coisas vieram a alterar-se e, assim, no princípio de 2005, num jantar da Fundação João Soares, nas Cortes em Leiria, eu perguntei-lhe em privado quem deveria ser o candidato a apoiar pelo Partido Socialista, uma vez que o tempo ia passando e Guterres tinha afirmado, num outro jantar da Fundação João Soares, não querer ser ele.

Mário Soares disse-me que havia muito tempo, pelo que eu percebi que ele próprio poderia estar interessado em candidatar-se e, que , portanto, seria bom que não aparecesse, em tempo útil, qualquer outra candidatura credível.

Efectivamente, passados alguns meses jantei com Mário Soares num restaurante da Figueira da Foz, onde ele se tinha deslocado para fazer uma intervenção num curso de férias de jovens e durante o qual fiquei a saber que já tinha assumido a sua candidatura.

Entretanto Freitas do Amaral, que penso ter aceite o lugar de Ministro dos Negócios Estrangeiros a pensar em vir a ser o candidato à Presidência da República apoiado pelo Partido Socialista, precipitou a situação, tendo-se mostrado disponível em entrevista ao DN.

Perante a impossibilidade de Sócrates assumir esta candidatura, por razões óbvias, pois não teria o apoio da generalidade dos militantes, foi feito o convite formal a Mário Soares, que de imediato aceitou, pois, também penso, que disso estaria desejoso.

Perante esta situação resolvi apoiar Mário Soares, a quem me ligavam laços de amizade e de gratidão e que, sendo candidato oficialmente apoiado pelo Partido Socialista, teria de ter o meu apoio.

Assim, quando Alegre anunciou a sua candidatura, eu já estava comprometido com o apoio a Mário Soares.

Foi uma situação algo dolorosa para mim, ter de me afastar de Manuel Alegre, mas agora, sem qualquer constrangimento, assumo por inteiro o meu apoio à sua candidatura à Presidência da República.

Como militante do Partido Socialista entendo que, no momento delicado que Sócrates e o Governo atravessam, há que cerrar fileiras em torno do nosso apoio total e inequívoco, perante uma campanha insidiosa e malévola, que tem sido orquestrada por vários quadrantes, numa aliança espúria e quase incompreensível.

Julgo que também será aconselhável, sem perda de muito tempo, o Partido Socialista anunciar o seu apoio a Manuel Alegre, como candidato à Presidência da República, clarificando assim uma situação que urge resolver, sob pena de gerar uma controvérsia indesejável.

Efectivamente, Manuel Alegre está em melhores condições do que qualquer outro para vencer Cavaco Silva e, sendo militante do Partido Socialista, julgo que este o deverá apoiar, embora se trate duma candidatura suprapartidária.

E é com esse apelo a Sócrates e ao Partido Socialista que termino esta mensagem.

Para Manuel Alegre vai o meu abraço amigo e fraterno, com os votos de uma próxima vitória, que será não só sua, mas de Portugal.

Santana Maia
Figueira da Foz, 19 de Fevereiro de 2010