"Na televisão, os comentadores de futebol substituíram grandes figuras da literatura portuguesa"
Manuel Alegre
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Maria de Belém no CCB:
“Um Presidente que nos faça acreditar em nós próprios”
11-09-2010

Encontramo-nos hoje, aqui, num momento importante para o aprofundamento da vida democrática do nosso País, que o mesmo é dizer, da nossa vida colectiva enquanto Portugueses e cidadãos do Mundo.

Uma eleição para a Presidência da República que pressupõe a escolha entre candidatos, propicia uma reflexão profunda sobre a identidade do País, sobre a essência do regime democrático no universo em que nos integramos e sobre qual o protagonista que consideramos à altura de promover e aprofundar o conjunto de valores em que nos revemos e também à altura de prestigiar o País no contexto nacional e internacional em que nos inserimos.

Na verdade, o Presidente da República, é bem mais do que o garante da independência nacional, da unidade do funcionamento do Estado e do regular funcionamento das instituições democráticas bem como, por inerência, comandante supremo das forças armadas. Ele representa a República Portuguesa e jura defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República. E ao ser um órgão unipessoal, eleito por sufrágio universal, directo e secreto dos cidadãos portugueses, é também directamente responsável junto de cada um deles pelo efectivo cumprimento das suas funções. E perante um quadro tão alargado de competências e um quadro tão estruturante do ponto de vista do aperfeiçoamento e do aprofundamento da nossa vida democrática colectiva, o perfil e a personalidade do Presidente da República devem e têm que coincidir com as escolhas que cada um de nós faz, sobre o quadro de valores em que acredita, sobre o tipo de sociedade que defende, sobre a visão do País que tem e sobre o papel de Portugal no mundo. E nenhum de nós é neutro e, seguramente, nenhum candidato à Presidência da República o é também.

Por isso escolher, e escolher bem, em quem votar é essencial. Vivemos, todos estamos certos disso, num mundo de especial complexidade, no contexto nacional, regional europeu e mundial. Um mundo de profundas alterações geoestratégicas que põem em causa equilíbrios até agora conhecidos. E um mundo onde múltiplas forças, de origem por vezes difícil de identificar, pretendem sobrepor-se aos poderes soberanos e democráticos. Estas forças caracterizam-se, em traços muito gerais, pela inversão das hierarquias, dos interesses relativamente aos valores, das pessoas ao serviço da economia, em vez da economia ao serviço das pessoas, das instrumentalização da dignidade humana, da substituição da honestidade e da solidariedade pela cupidez e ostentação, da supremacia do interesse privado sobre o interesse público, do turbo-consumo emocional sobre a racionalidade e a liberdade das escolhas, do hiper individualismo sobre a solidariedade entre pessoas e entre gerações.

Este contexto exige, do supremo magistrado de uma nação, preparação e capacidade de intervenção política. À tecnocracia e ao pragmatismo não se responde com tecnalidades e com relativismo. À tecnocracia e ao pragmatismo responde-se com política. Política no que ela significa de decisões ao serviço do interesse colectivo, política no que ela significa de escolha de quadros de valores referenciais de uma sociedade, política no que ela significa na construção duma sociedade livre, justa e solidária, assente na dignidade da pessoa humana, como estabelece aliás logo o artigo primeiro da nossa Constituição. E não se responde com retórica mas com exemplo.

E é à luz desta leitura que a personalidade do Presidente da República é fundamental para assegurar que, quando ele representa a República Portuguesa no contexto nacional, os cidadãos portugueses nele se revejam na sua matriz identitária; quando ele representa Portugal na cena internacional, afirme a nossa história, a nossa identidade cultural e o lugar de Portugal e dos portugueses no Mundo, enquanto obreiros activos que devemos e queremos ser de uma sociedade onde a ética humanista tem que ter o seu lugar, onde sem direitos e deveres sociais não existem direitos individuais fundamentais nem liberdades, onde a economia predadora e especulativa deve ceder perante a economia criadora de emprego, respeitadora de direitos e fumentadora da justa distribuição de riqueza. E também uma sociedade onde a ideia de ser idêntico a si mesmo evolua no sentido de partilhar uma identidade com outros indivíduos de outras raças, de outras religiões, de outras culturas.

Um Presidente que faça respeitar o nosso País na Europa, no contexto internacional e que, no contexto interno, garanta a unidade do Estado e o regular funcionamento das instituições democráticas. Que interprete bem o conceito da separação de poderes, conjugado com o da interdependência dos mesmos, reconquistando e aprofundando o prestígio das instituições e a nossa auto-estima, por forma a fazer-nos sair do quadro vicioso, opressivo e depressivo colectivo e global em que nos encontramos.

Um Presidente que nos faça acreditar em nós próprios, que nos faça ter confiança em nós próprios e que nos faça reconquistar a respeitabilidade e o reconhecimento que merecemos. Como diz Adonis, o compromisso político é, por natureza, anti-poético, mas a poesia abre um mundo novo de novas relações entre as coisas e os homens, catapulta-nos para outra dimensão e para outro patamar. Por isso um Presidente que acrescente uma nova dimensão intelectual criativa, que nos faça ver de forma diferente, perscrutando o sentir das pessoas, o sentido relacional das pessoas e das coisas, que acrescente imaterialidade, emoção e sentimento à nossa condição material e nos faça revisitar o nosso interior, para que encontremos o sentido da nossa vida e o papel de cada um de nós na construção de um mundo mais justo, mais solidário, mais tolerante e mais plural, um Presidente assim, é alguém que nos liberta.

Por tudo isto Manuel Alegre é o nosso candidato à Presidência da República. O poeta da liberdade e da libertação. E o homem político experiente, firme, independente e estruturado, que é capaz de interpretar a nossa matriz identitária e o papel de Portugal no Mundo. Cultor da língua e da sua dimensão ao serviço do cruzamento de culturas e da construção dum universo plural e diversificado, onde Portugal e a Língua Portuguesa tenham palavra. Um homem que vê não apenas o que lhe mostram, mas aquilo que os seus olhos alcançam.

Estamos aqui com força, energia, determinação e convicção porque sabemos o quão crucial é a vitória do nosso candidato nas próximas eleições presidenciais. Respondamos à chamada e iniciemos esta cruzada com alegria.

Viva Manuel Alegre, Viva Portugal.