"Na televisão, os comentadores de futebol substituíram grandes figuras da literatura portuguesa"
Manuel Alegre
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Daniel Sampaio no CCB:
"A partir de Março de 2011 tudo será diferente"
11-09-2010

Caros Amigos:
Como Mandatário pelo Distrito de Lisboa da candidatura de Manuel Alegre à Presidência da República, desejo, em primeiro lugar, saudar todos os presentes: com o nosso trabalho e com todos aqueles que seremos capazes de conquistar para a nossa causa, estou certo de que conseguiremos alcançar os nossos objectivos. Em seguida, quero saudar em Manuel Alegre o futuro.

Sabemos de onde vem o nosso candidato, sabemos já o que pretende e o que vai conseguir, porque esta é uma candidatura clara nos seus ideais e firme nos seus propósitos.

Permitam-me que saliente o carácter simbólico desta iniciativa que aqui nos une. Estamos em Lisboa, mas não esquecemos o resto de Portugal. Lisboa marca hoje o verdadeiro início de uma campanha decisiva para o país, em que precisamos de eleger um PR capaz de transmitir não só um desígnio de esperança, mas também a garantia de uma actuação firme nos momentos decisivos.

Lisboa é uma cidade de charneira entre o Atlântico e o Mediterrâneo e uma porta europeia para o mundo. Lisboa é a capital de Portugal, mas deverá ser uma cidade participante nas principais redes internacionais de comércio, de mobilização de conhecimento, de investigação e tecnologia. Em Lisboa é essencial que se transmita a ideia da coesão do tecido social, porque todos conhecemos as desigualdades de que é exemplo. Lisboa deve ser importante nas relações estratégicas com os países emergentes. Por isso, a nossa cidadania por Manuel Alegre é aqui crucial: em Lisboa, costuma dizer-se, ganham-se e perdem-se eleições. Compete a todos nós, aqui presentes, demonstrar aos portugueses que, com o seu apoio, as vamos vencer. Por isso, ainda bem que aqui estamos hoje.

Meus Amigos, vamos dizer bem alto que a partir de Março de 2011 tudo vai ser diferente. Não teremos mais um PR que hesite nas palavras e que demore uma eternidade a dizer o que pensa. Não teremos um PR que promulgue leis com que não concorda, ou que adie quase sempre a intervenção necessária. Manuel Alegre Presidente não assistirá em silêncio à crise da justiça, porque depressa chamará os seus principais agentes para conseguir o entendimento mínimo que permita, a essa justiça, manter a dignidade necessária. Manuel Alegre Presidente continuará a defender, como sempre fez até aqui, o Serviço Nacional de Saúde e a escola pública, porque sabe como essa defesa é importante para todos os portugueses. Manuel Alegre Presidente lutará pela qualificação cultural dos nossos cidadãos, porque Belém será um fórum onde a criatividade de tantos portugueses encontrará o exemplo de uma vida de cultura.

Precisamos também de compreender a dimensão política da nossa candidatura. Temos um único adversário, o Prof. Cavaco Silva. Com respeito – e acho que tem faltado respeito na vida política portuguesa – necessitamos demonstrar aos portugueses que a reeleição do actual PR não é a melhor solução para o momento difícil que atravessamos.

Em primeiro lugar, pela prática já demonstrada pelo actual PR. De nada serviram, de facto, os livros de economia nem o conhecimento de finanças. A cooperação estratégica tão propagandeada resvalou, muitas vezes, para uma crítica velada e ineficaz ao governo. Os agentes culturais não tiveram, de Belém, mais do que umas inconsistentes palavras de apoio. Os agentes da justiça discutem, na televisão, a crise do sistema, e o actual PR demora um mês a chamar o Procurador-geral da República. Importantes questões civilizacionais e de direitos humanos encontraram respostas hesitantes ou conservadoras, como se passou no divórcio e no casamento entre pessoas do mesmo sexo. O Prof. Cavaco Silva diz que “avisou”, é certo: mas todos nós precisamos mais do que um aviso.

Em segundo lugar, pelas características de personalidade do nosso adversário. Candidatou-se com um verdadeiro programa de governo, prometendo aos portugueses o que não estava ao seu alcance, como na altura Manuel Alegre e Mário Soares bem alertaram. Tarde compreendeu que não podia governar, passando do elogio da cooperação para a crítica evasiva ou escondida. Embora talvez com vocação para governar, teme hoje que a sua opinião possa contribuir para a derrota eleitoral, por isso se refugia em “avisos”, comentários cautelosos ou apelos de circunstância que em nada têm contribuído para a melhoria do país. A sua recandidatura não entusiasma ninguém. Muitas pessoas da sua área política desejariam ter outro candidato capaz de mobilizar o país, mas preferem acomodar-se no que já é conhecido: pensam que os portugueses temem a mudança e votarão no Prof. Cavaco Silva pela tradição de reeleger o PR em funções.

Meu Amigos, a partir de Março de 2011 tudo será diferente. Teremos em Belém um humanista, alguém que compreenderá a verdadeira dimensão do que é ser português. Alguém que perceberá a novidade técnica e cultural que caracteriza o mundo de hoje, um homem que depressa nos mostrará com uma das funções do PR é fazer uma síntese – compreensiva para todos – da ciência e da arte, do conhecimento e da experiência imediata, da tradição e da novidade. Essa síntese inspiradora é o desígnio para o Portugal do presente e do futuro. Quem melhor do que um poeta para o fazer? Porque poesia é sonho e “o sonho comanda a vida”, mas Alegre também demonstrou, ao longo da vida, que poesia pode ser combate.

Manuel Alegre Presidente terá um novo rumo para o país: sabe, da História de Portugal, que só vencemos as dificuldades quando saímos do nosso território e nos voltámos para o mundo. Por isso, Manuel Alegre se tem dirigido aos jovens. Sabe que quando falamos com alguém jovem percebemos de imediato a sua ânsia de compreender o mundo e de o conhecer: os mais novos sabem que poucos sucessos terão se permaneceram acorrentados a uma visão limitada de Portugal, reduzido à sua pequena dimensão, trazida por aqueles que têm uma visão restritiva das suas fronteiras. Os jovens sabem como é decisivo ir e voltar, apropriar-se do conhecimento internacional e reencontrar, enriquecidos, o sentido de ser português.

Com Manuel Alegre, saberemos sempre com o que poderemos contar. Compreenderemos o que dirá em Belém porque já hoje sabemos o que pensa. Dizem que a candidatura é partidária porque apoiada por dois partidos e pelo facto do nosso candidato pertencer a um deles. Mas, Amigos, ser de um partido não é ficar preso a uma cartilha, é pertencer e ser livre ao mesmo tempo: é ter um ideário comum e ter ideias próprias. Ninguém poderá negar, em Manuel Alegre, a existência de um pensamento próprio e de uma vida de pertença a um ideal. Tem estruturas partidárias que o apoiam, é claro; mas onde se viu um candidato a Presidente rejeitar apoios? O que todos sabemos é que as ideias de Manuel Alegre transcendem o itinerário dos partidos que desde já estão connosco; a esses partidos muitos cidadãos depressa se juntarão.

Partimos hoje para a fase decisiva da nossa campanha. Estou convicto que com o nosso trabalho e com a conquista de muitos mais para a nossa causa, a partir de Março de 2011 tudo será diferente.