"Nada está adquirido, tudo está a andar para trás muito depressa"
Manuel Alegre
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Paulo Nuno Pereira
À Procura de Abril
01-05-2010

À Procura de Abril

De tudo o que Abril abriu
Já muito se disse.
Muito pouco se fala
Deste sufoco que nos cala
Destes rios sem mar
Deste roer por dentro
Deste moer até ao sonho
O passado voltou disfarçado de futuro
Deram-nos com o machado mesmo no centro do pensamento
É tão imenso este tormento
Em marés calmas
O que é feito das nossas almas?

Nós já não voltamos em Maio
Perdemos os ritmos da terra,
Os cheiros do mar
Não sabemos voar.

Utopia é não querer ver
Que a utopia morre todos os dias
Nos grandes centros onde
Nos escondemos da nossa dor
E transvestimo-nos
de seres sem
Tempo ou saudade.

Já ninguém semeia canções ao vento
A esperança enfiou-se numa caixa
E dorme o dia inteiro com este tédio ao lado