Manuel Alegre garantiu ontem, no Parlamento, que "não vai deixar o PS". O deputado socialista e vice-presidente da Assembleia da República pôs, assim, um ponto final em rumores que o davam em rota de colisão com o seu partido, antecipando mesmo a sua saída, e a hipótese deste vir a ser o rosto de um novo partido político.
Em declarações à imprensa nos Passos Perdidos, o ex-candidato presidencial afirmou: "Eu também sou o PS" e afastou qualquer hipótese de se desfiliar.
Manuel Alegre lembrou que "há dois anos até se verificou ter uma maior expressão de votos do que o PS", evocando a campanha presidencial em que concorreu como independente quando o Partido Socialista de José Sócrates apoiou Mário Soares na corrida ao Palácio de Belém.
A reunião que Manuel Alegre marcou para Fevereiro com os seus apoiantes que são militantes do PS tem como objectivo reorganizar a ala esquerda do partido, que se tem apresentado dispersa depois das eleições presidenciais em que o actual deputado do PS obteve 20,74%, contra 14,3% do candidato oficial do PS, Mário Soares.
O encontro reunirá socialistas de norte a sul do País que estiveram nas eleições presidenciais ao lado de Manuel Alegre, afrontando nessa altura a direcção do partido. E vai servir para reflectir sobre as estratégias de futuro deste grupo que, em Janeiro de 2005, valeu um milhão de votos, em confronto com a máquina do PS.
Na sequência das eleições presidenciais foi fundado o MIC - Movimento Intervenção e Cidadania. Vários núcleos foram criados por todo o país, mas as acções do Movimento têm tido até ao momento pouca visibilidade pública.
Com um Partido Socialista a governar mais à direita, uma parte do eleitorado socialista poderá não se estar a rever nas políticas actualmente aplicadas pelo executivo. A hipótese de um novo partido que possa aglutinar eleitorado socialista descontente com o Governo PS tem sido objecto de movimentações e conversas de bastidores.