Esta candidatura marca um facto político irreversível: ela assume o direito de pensar, de criticar, de agir e combater. Ela constitui-se como um movimento de inquietação cívica mobilizador de jovens por todo o país, de norte a sul, do litoral ao interior. Ela assume o romantismo e a seriedade que o exercício da política tem perdido, ela recupera o valor da consciência e de como ela é soberana nas decisões.
Numa época da globalização, em que é visível o seu carácter contraditório, temos de assumir a incomodidade de um pensamento crítico. Um pensamento capaz de combater as ideias feitas, mediaticamente inculcadas pelos aparelhos ideológico-culturais dominantes, como se representassem a verdade definitiva. Um pensamento crítico que nos impeça de confundir a realidade com aquilo que gostaríamos que ela fosse, mas que esteja longe de aceitar aquilo que existe. A candidatura de Manuel Alegre é um decidido assumir da importância desse pensamento crítico, da força da consciência, do valor da opinião.
Por isso, em cada conjuntura, devemos procurar perceber sempre qual é a força propulsora principal, qual é o obstáculo mais difícil. Estarão estes aspectos devidamente ponderados nas questões que ocupam a ribalta das nossas ideias? E estarão estas irremediavelmente ancoradas na nossa experiência histórica, correspondendo, por isso, a uma sociedade que já é passado? Por que outras vias deveremos prosseguir? Com base em que novas referências? Alguma vez os homens transformaram a sociedade, a não ser a partir da valorização das questões que lhes ocorreram? Se não devemos valorizar as questões que reflectidamente nos ocorrerem, que questões devemos então valorizar?
Sem nunca renunciarmos a uma atitude anti-dogmática, poderemos orientar-nos melhor nesta multiplicidade de interrogações, se confrontarmos sempre o presente com o horizonte socialista que nos identifica e que ambicionamos como futuro. E é importante não ter medo da palavra socialista, da identidade e do horizonte socialista. Esta candidatura assegura e assenta nestes valores e é-lhes fiel e não renuncia ao contrário de candidaturas que advogam essa semântica “socialista” mas constituem-se como batalhões de defesa dos interesses, do afundar da ética política e do desprezo pelos princípios. Eu tenho orgulho em ser socialista, em colocar-me na margem esquerda do espectro político, e sem qualquer dúvida, é nesta candidatura que melhor encontro o meu espaço.
Neste sentido, parece-me pertinente que Manuel Alegre defenda o primado do político pelo económico. É preciso estar atento. È preciso que estejamos atentos às transformações do capitalismo, sabendo que elas podem, eventualmente, conduzir a profundas alterações da própria natureza da luta política, sem nunca cairmos na ilusão de que o capitalismo se extinguiu.
Seria de facto a suprema ironia que a esquerda renunciasse a combatê-lo, com a alegação de que já não existe, precisamente num tempo em que os seus arautos decretaram a sua irreversível vitória histórica.
Isto não significa que encaremos o capitalismo numa óptica simplista e redutora, que menospreze a sua complexidade, os seus aspectos ambivalentes, as suas virtualidades de dinamização económica. Significa antes, que o consideramos incapaz de eliminar a pobreza e a marginalidade, de suscitar a felicidade humana e a melhoria da qualidade de vida das pessoas, generalizada e sustentadamente, dado o facto de ser predominantemente predatório e desumanizante. E é recolocarmos a economia ao serviço das pessoas, é assumirmos um desafio, que Manuel Alegre tem assumido, que o poder político não se pode vergar perante o poder económico e que mesmo os problemas económicos são em primeiro lugar, problemas de opção política.
Nesta medida, é decisiva a nossa capacidade para revitalizar os valores da liberdade, da justiça, da igualdade, da fraternidade, da solidariedade, do respeito pela natureza, da cooperatividade, da criatividade cultural, da inovação organizacional, submetendo-os a uma permanente reactualização crítica, que os complete e enriqueça. No fundo, será talvez um caminho para encarar o socialismo como um humanismo que possa aproximar o mundo de hoje da felicidade, livrando-o dos pesadelos colectivos que continuam a povoá-lo e assumirmos causas, valores e ideias. Esta candidatura marca um facto político irreversível: ela assume o direito de pensar, de criticar, de agir e combater. Ela constitui-se como um movimento de inquietação cívica mobilizador de jovens por todo o país, de norte a sul, do litoral ao interior. Ela assume o romantismo e a seriedade que o exercício da política tem perdido, ela recupera o valor da consciência e de como ela é soberana nas decisões. Manuel Alegre apela aos portugueses por um Portugal melhor, feito por todos, debatido por todos, construído por todos e onde todos encontram a sua forma de sorrir.